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O ano das Bitcoin Treasuries: Ações da Strategy sobem, mas Metaplanet, OranjeBTC e Méliuz recuam

03 jan 2026, 12:00 - atualizado em 02 jan 2026, 15:31
O ano das Bitcoin Treasuries Ações da Strategy sobem, mas Metaplanet, OranjeBTC e Méliuz recuam (Imagem Montagem Money Times)
O ano das Bitcoin Treasuries Ações da Strategy sobem, mas Metaplanet, OranjeBTC e Méliuz recuam (Imagem Montagem Money Times)

As criptomoedas deixaram de ser um investimento paralelo e passaram a figurar entre nos balanços de grandes empresas. Com isso, uma nova classe surgiu: as chamadas Bitcoin Treasuries Companies, isto é, companhias focadas em alocar parte do caixa em bitcoin (BTC).  

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Essa estratégia divide opiniões entre especialistas e investidores. 

Isso porque uma parcela dos analistas entende que é uma estratégia arriscada alocar parte do caixa em criptomoedas, que são investimentos altamente voláteis e podem comprometer o dinheiro disponível da empresa no caso de uma queda de preços.  

Por outro, investidores enxergam a oportunidade de rentabilizar as reservas das empresas que, muitas vezes, ficam paradas e perdendo para a inflação dos países onde essas empresas ficam sediadas.  

Seja como for, em 2025, algumas dessas Bitcoin Treasuries conseguiram garantir alguma rentabilidade dos negócios, mesmo com a queda nos preços à vista do BTC.  

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Veja a seguir como foi o ano para cada uma delas: 

Strategy (ex-Microstrategy) 

A maior das Bitcoin Treasuries Companies, a Strategy antiga MicroStrategy, é uma companhia americana que combina software de business intelligence e análise de dados com uma estratégia global de tesouraria de bitcoin.  

Com cerca de 672.497 unidades de BTC em caixa, a Strategy possui o equivalente a R$ 60 bilhões investidos na criptomoeda.  

Voltando alguns passos, de acordo com Michael Saylor, ex-CEO e atual presidente do Conselho da Strategy, a estratégia de acúmulo de BTC começou como uma visão de longo prazo da empresa. 

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Em 2020, a inflação dos Estados Unidos começava a dar uma guinada para cima, comprometendo o poder de compra do caixa da empresa. Assim, Saylor enxergou uma oportunidade de garantir uma rentabilidade extra das reservas com o acúmulo de bitcoins. 

Apesar das flutuações de preço, estima-se que as reservas da Strategy tenham gerado um lucro não realizado entre US$ 15 bilhões US$ 20 bilhões para a empresa.  

De acordo com informações disponíveis no portal da empresa, o mNAV da Strategy está em uma relação de 0,83x.  

Vale mencionar que o mNAV é uma métrica do mercado que divide o valor da empresa pelo montante da criptomoeda em caixa e é interpretado pelos investidores como um indicador de risco: abaixo de 1,0x, o tamanho das reservas está maior do que o tamaho da própria empresa, indicando que os negócios não estão extraindo o valor total do montante em caixa.   

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Com isso, as ações mais líquidas da Strategy, a MSTR, acumularam alta de 3,7% em 2025, o mais forte desempenho entre as Bitcoin Treasuries 

Metaplanet 

Na sequência, a quarta maior empresa detentora de bitcoins e que adota a estratégia de acúmulo de criptomoedas, a Metaplanet vê um cenário diferente.  

Com uma queda de 7,95% no acumulado de 2025, a Metaplanet operava principalmente no ramo de hotelaria japonesa, com o nome anterior de Red Planet, mas também tinha negócios relacionados a Web3, metaverso e blockchain. 

A empresa com cerca de 35.102 BTCs, o equivalente a cerca de US$ 3,173 bilhões, ainda patina para convencer os investidores de que a guinada dos negócios deu certo. O mNAV da empresa está em 1,19x, uma correlação considerada saudável pelos analistas.  

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OranjeBTC (OBTC3) 

Já na América Latina, a OranjeBTC (OBTC3), que estreou na bolsa brasileira em outubro do ano passado, vem enfrentando dias difíceis. 

Com 3.722,3 BTCs em reservas, o equivalente a aproximadamente US$ 326 milhões (R$ 1,813 bilhão) nas cotações atuais, a Oranje é a maior Bitcoin Treasurie Company da América Latina. 

A OranjeBTC é uma empresa de educação de criptomoedas que entrou na bolsa por meio do “IPO reverso”, adquirindo uma rede de cursinhos pré-vestibular.  

Recentemente, a empresa precisou recomprar ações e pausar a compra de bitcoin devido ao que Guilherme Gomes, CEO da OranjeBTC, chamou de “falta de conhecimento do investidor” sobre como a companhia gera recursos com a estratégia de encarteiramento de BTC.  

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Gomes ainda cita a última recompra de ações como parte de uma estratégia para aproveitar o que considera um “desconto significativo” no preço dos papéis em relação ao valor do bitcoin em caixa.   

Até a conclusão desta reportagem, o mNAV da OranjeBTC estava em 0,89x.  

Méliuz (CASH3)  

Por último, o Méliuz (CASH3), primeira empresa brasileira a adotar a estratégia de alocação de caixa em bitcoin, aloca montantes mais modestos da criptomoeda em caixa.  

São 605 unidades de BTC no valor de cerca de US$ 54,4 milhões, com um mNAV de 1,46x. No acumulado de 2025, as ações CASH3 recuaram 3,30%. 

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A empresa focada em cashback e tecnologia financeira iniciou a compra de BTCs em junho do ano passado. 

Em um primeiro momento, o follow-on (oferta subsequente de ações) para levantar capital e comprar bitcoins foi visto com ceticismo pelos investidores. Mas o BTG Pactual passou a ver a estratégia com bons olhos meses após a adoção da nova estratégia.  

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É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
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