Giro do Mercado: ‘Ataque ao Irã não é por acaso’, diz professora da PUC-SP
Os mercados vivem um pregão de instabilidade nesta segunda-feira (2), com a escalada dos conflitos no Oriente Médio após Estados Unidos e Israel realizarem ataques conjuntos contra o Irã que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei.
O preço do petróleo chegou a disparar mais de 12% na abertura do dia, seguido pelo dólar, ouro e juros futuros que também avanças. As bolsas internacionais, por outro lado, caem com as expectativa de um conflito longo.
De acordo com o presidente Donald Trump, o Irã estaria disposto a negociar, mas o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano negou a informação.
“Quando temos momentos de choque geopolítico, os mercados tendem a se reorganizar muito rapidamente. Então a percepção de risco e de incerteza é elevada. Muito provavelmente esse contexto vai se refletir com o aumento do preço do petróleo e do ouro”, destaca Cristina Helena, professora de economia da PUC-SP, durante entrevista para o Giro do Mercado.
Helena ainda aponta qure é preciso avaliar que o ataque ao Irã não é por acaso. “Entendemos que existe um movimento sobre fontes de energia, que são importantes e que dinamizam a economia da China, Venezuela e Irã”, completou.
Sobre outras questões geopolíticas no radar, a professora afirma que o conflito entre Rússia e Ucrânia deve seguir na atenção dos investidores.
No cenário doméstico, o Ibovespa abriu em queda de quase 1%, em resposta ao ambiente de aversão externa com o conflito entre os EUA-Irã. Entre os principais destaques positivos do Ibovespa hoje, estavam as petroleiras Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) — Petrobras (PETR4) também apresenta alta em torno de 4%.
Nesta manhã, as atenções dos investidores se voltam ao Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que revisou a projeção da Selic em 2026 de 12,13% para 12%.
“A maior possibilidade é de desacelerar o cenário de quedas de juros por enquanto, em função das possibilidades de pressões inflacionárias causadas pelo preço do dólar e do petróleo”, apontou Helena. “Acredito que vamos viver uma reversão das expectativas de queda da taxa de juros no Brasil nas próximas reuniões do Copom”, concluiu.
*Com supervisão de Juliana Américo