O ‘bear market’ é uma realidade, mas a estrutura do mercado está diferente, diz CEO da Rípio, que faz aposta de queda até os US$ 75 mil
Durante um café da manhã com jornalistas, o CEO da Rípio, Sebástian Serrano, afirmou que a estrutura do mercado de criptomoedas está diferente mas que o bitcoin (BTC) e os ativos digitais entraram em bear market.
“Se entramos no inverno cripto, a base está muito mais sólida. O volume negociado em criptomoedas aumentou muito, mesmo com a queda das cotações, o que indica que há interesse maior em negociar bitcoin mesmo nessa faixa de preço”, diz Serrano.
Isso porque houve uma “troca de mãos” dos investidores: um fluxo de mais de um milhão de unidades de BTC nos últimos dois anos das corretoras de criptomoedas (exchanges) para os fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês), que tendem a ser detentores de longo prazo das criptomoedas e menos sensíveis a variações imediatas de preço.
Para ele, o mercado global de ativos de risco já atingiu o pico de liquidez, apesar da perspectiva de corte de juros nos Estados Unidos. Isso porque o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) consegue agir na curva das taxas de curto prazo e não naquelas de longo prazo, como os Títulos do Tesouro (T-bonds) de 30 anos.
Além disso, os massivos investimentos em inteligência artificial (IA) têm absorvido os recursos disponíveis no mercado, o que também limita as possibilidades dentro do mercado cripto.
Base sólida das criptomoedas — e a previsão de preços
Com isso, o cenário mais provável é de uma lateralização para baixo dos preços das criptomoedas, afirma Serrano.
“Nós trabalhávamos com um pico de preços do bitcoin em US$ 200 mil. Agora, acredito que os preços possam chegar a US$ 75 mil antes do repique”, comenta o CEO da Ripio.
A plataforma argentina de negociação de criptomoedas trabalha com o cenário de um choque macroeconômico e queda ampla dos mercados devido a uma correção natural do segmento de inteligência artificial.
“Essa correção deve desencadear um efeito na economia, uma contração imediata de liquidez, o que obrigará os governos a emitir mais moeda e, consequentemente, tentar estabilizar o mercado”, comenta.
Nesse “repique” do mercado, Serrano entende que o bitcoin pode voltar a buscar novos recordes de preço, inclusive “chegar aos US$ 1 milhão”. No entanto, isso deve acontecer só nos próximos 20 anos, segundo o CEO da Ripio.