O combustível que pode virar problema para o Brasil se os EUA fecharem a torneira
Nos últimos dias, as discussões sobre a oferta de diesel no Brasil com a possível proibição das exportações do combustível pelos Estados Unidos passou a concentrar as preocupações do mercado, ainda mais com o barril do petróleo acima de US$ 100.
Por aqui, a Petrobras (PETR4) já garantiu o volume de importação de diesel necessário para outubro, de 650 milhões de litros, e não prevê grandes volumes de compras externas para novembro.
A CEO da companhia, Magda Chambriard, também já comentou que avaliando a possibilidade de a Petrobras atender toda a demanda de diesel necessária pelo Brasil durante o próximo plano estratégico da companhia. Ela ainda ressaltou que a empresa deverá aumentar sua oferta com os projetos já incluídos no plano atual.
Vale destacar que, no plano estratégico atual, a Petrobras avançou com alguns projetos para ampliar sua produção de diesel S10, seja pela conversão da produção de S500, acrescentando 173 mil barris por dia, seja pela adição de nova capacidade (+134 mil barris por dia), principalmente com a entrada do segundo trem da RNEST.
Mas, apesar dos esforços, a expectativa é de um mercado “mais apertado”, na avaliação do Citi. “Dado que a falta de capacidade ociosa no mundo torna o cenário desafiador para as distribuidoras brasileiras de combustíveis e para a Petrobras”, destacaram os analistas Andrés Cardona, Gabriel Barra e Pedro Gama, em relatório a clientes divulgado nesta segunda-feira (28).
Segundo eles, o cenário é mais desfavorável para os importadores privados, diante da grande diferença entre os preços domésticos e internacionais, mesmo considerando os subsídios do governo de R$ 2,12 por litro.
Além disso, o banco chama a atenção para a proximidade de um dos períodos de maior demanda por diesel no país: a temporada de plantio das culturas de verão. “Nesse cenário, há uma série de incertezas sobre a oferta do combustível”, afirmam os analistas.
Proibição total é improvável, diz Citi
O Citi considera a proibição total de exportação do diesel dos EUA como “improvável”, uma vez que o governo dos Estados Unidos está dividido sobre a questão e o secretário de Energia, Chris Wright, alertou que a medida elevaria os preços da gasolina e do combustível de aviação.
“Caso o cenário de proibição das exportações pelos EUA não se concretize, ainda vemos um cenário positivo para as distribuidoras e para a Petrobras, uma vez que o preço do diesel e o diferencial entre o preço doméstico e o preço de paridade de importação (PPI) devem permanecer elevados, sustentando bons resultados pela frente”, destacaram os analistas.
Dependência do diesel
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro veio de refinarias norte-americanas.
“Esse cenário, porém, coloca o Brasil em uma situação delicada, na nossa visão, já que o país é um dos maiores importadores globais e, destacamos, os principais exportadores de diesel estão enfrentando algumas interrupções em sua oferta”, considera o Citi.
Nos últimos anos, o Brasil aumentou a dependência de refinarias dos Estados Unidos, que passou a ser o principal fornecedor do combustível com a redução da produção e exportação do diesel pela Rússia e pelo Oriente Médio.