Prévia do PIB mostra perda de fôlego da economia e favorece cortes de juros, aponta analista da Empiricus
O Ibovespa (IBOV) abriu em leve alta nesta quinta-feira (19), com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) no radar. A prévia do Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda de 0,2% em dezembro e alta acumulada de 2,5% no ano.
“No início do ano passado, as projeções eram bastante pessimistas em relação à atividade brasileira. Mas tivemos um ano com diversos fatores que elevaram o PIB e um final do ano, uma revisão para cima, próximo a 2,5%”, aponta Lais Costa, analista da Empiricus Research.
A especialista ainda explicou na edição do Giro do Mercado de hoje que esse dado indica que estamos olhando para uma desaceleração da economia, puxada principalmente pelo agronegócio.
“PIB de 2% seria um cenário otimista para o ano. Entendemos que os dados antecedentes do agro vieram piores, então não devemos ter uma contribuição tão forte desse setor como tivemos no passado e no ano anterior”.
Em relação à possibilidade de impacto desses números na decisão sobre a taxa de juros, a analista da Empiricus aponta que a influência deve ser baixa. “Ele muda pouco sobre a discussão da taxa de juros. Vamos saber o PIB oficial do quarto trimestre no dia 3 de março e o dado de hoje já mostra um PIB mais fraco“, afirma.
Segundo ela, o conjunto de dados que estão sendo coletados desde a última reunião do Copom vão todos na linha de enfraquecimento da atividade e de uma inflação mais benigna. “Esse cenário deve dar mais espaço e mais conforto para o BC começar o ciclo com um corte um pouco mais acelerado, em março”, afirma.
A Azul (AZUL53) também está entre os destaques do dia, com os papéis chegando a cair até 50%. A companhia concluiu uma oferta de R$ 4,98 bilhões e homologou um aumento de capital com emissão de 45,48 trilhões de novas ações.
Já no cenário internacional, a chance de corte de juros pelo Federal Reserve, dos Estados Unidos, em março está cada vez mais distante. A ata da reunião de janeiro deixou claro que a inflação continua no centro das preocupações do Fed, que demanda cautela antes de qualquer alteração nas taxas.
*Com supervisão de Juliana Américo