‘O Lula está para perder’; as apostas de gestores com R$ 180 bilhões na carteira para eleições
A pouco menos de três meses das eleições presidenciais, gestores responsáveis por cerca de R$ 180 bilhões em recursos defenderam que o mercado financeiro pode estar subestimando as chances de derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. A avaliação foi feita durante a XP Expert.
Para João Landau, gestor da Vista Capital, o quadro eleitoral está mais equilibrado do que indicam as pesquisas. Ultimo Datafolha, que saiu nesta sexta-feira, mostrava Lula com 48% dos votos contra 43% de Flavio Bolsonaro no segundo turno.
“Eu criei a minha teoria de que, apesar das dificuldades do momento, o Lula está para perder essa eleição.”
Na avaliação de Landau, a leitura tradicional das pesquisas pode superestimar a vantagem do presidente. Segundo ele, a elevada abstenção e o crescimento dos votos nulos, especialmente observados em São Paulo, além do comportamento dos eleitores indecisos, indicam uma disputa mais apertada.
“O Lula incorporou parte do eleitorado que havia se abstido nas últimas eleições. Quando vejo uma diferença de cinco ou seis pontos nas pesquisas, considero que ele está, na prática, empatado”, afirmou.
O gestor acrescentou que os eleitores que ainda se dizem indecisos no segundo turno tendem, historicamente, a migrar para candidatos de direita, o que reduziria ainda mais a vantagem do petista.
Na visão de Landau, o presidente enfrenta um teto eleitoral mais baixo do que o mercado imagina.
“Eu tenho mais confiança de que o Lula perde do que o próprio mercado. Acho que essa disputa será muito mais equilibrada.”
Apesar da avaliação, o gestor ponderou que o cenário permanece aberto.
Ele citou a possibilidade de surgimento de diferentes candidaturas no campo da direita, mencionando o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e Renan Santaos, do Podemos — embora tenha destacado que o quadro ainda está em formação.
Também afirmou que o mercado subestima a capacidade de mobilização de movimentos como o MBL. Ao mesmo tempo, Landau alertou que o ambiente econômico segue delicado.
“Estamos muito próximos de um evento de dívida. Mas ainda há muita coisa para acontecer até essa eleição.”
Não existe salvador da patria
Já Ruy Alves, da Kinea, defendeu que os desafios econômicos vão além do resultado das urnas. Segundo ele, o país precisará enfrentar questões estruturais acumuladas ao longo dos últimos anos, independentemente de quem assumir o Palácio do Planalto.
“Eu não sei quem vai ganhar a eleição. Se o Flávio Bolsonaro ganhar, você acha que isso resolve o problema? Sem planejamento e sem apoio político, não resolve. Não existe salvador da pátria. Mesmo que a oposição vença, o trabalho será muito difícil.”
A avaliação dos gestores reforça uma percepção crescente entre parte dos investidores de que o debate eleitoral já começou a influenciar as expectativas para os ativos brasileiros.