O melhor banco médio da bolsa: BTG atualiza projeções e vê alta de 40%
Enquanto os bancões renovaram máximas, como Itaú Unibanco (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11), um banco médio está “dando sopa” na bolsa. Trata-se do Banco Pine (PINE4), que saltou 200% em 2025.
Apesar disso, neste ano, o banco perdeu um pouco de fôlego e cai 4% em meio às incertezas com a guerra no Irã.
Seja como for, para o BTG, isso representa muito mais uma oportunidade do que um risco. Os analistas elevaram o preço-alvo da ação de R$ 16,50 para R$ 17, o que implica um potencial de alta de 40% em relação ao último fechamento.
A tese do BTG permanece a mesma: o banco tem se beneficiado dos estágios iniciais do mercado privado de crédito consignado, o chamado crédito do trabalhador, que completou um ano recentemente. Para os analistas, uma série de gargalos operacionais criou oportunidades atraentes.
Além disso, com a oferta de ações, o banco reforçou ainda mais seu capital. Ao todo, o Pine captou R$ 245 milhões. Segundo os analistas, com uma posição de capital mais sólida, o CET1 (Capital Principal Nível 1) — principal medida de qualidade de capital de um banco — deve aumentar em 150 pontos-base.
‘Continuamos a prever uma normalização do ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) ao longo do tempo e estamos mais otimistas em relação a 2026, considerando um início de ano forte’, dizem.
Com isso, os analistas projetam lucro de R$ 630 milhões neste ano, alta de 66%, com ROE de 37%. O número está 26% acima das estimativas anteriores e 24% acima do consenso de mercado.
Favorito entre bancos médios e pequenos
Ainda segundo o BTG, a oferta de ações foi quase como um novo IPO (oferta pública de ações). A expectativa é que a operação melhore a liquidez do papel.
Os analistas destacam que, de fato, o volume médio diário negociado (ADTV) subiu de aproximadamente R$ 4 milhões para cerca de R$ 10 milhões nas semanas seguintes à oferta.
Parte desse movimento, porém, foi impulsionada pela maior volatilidade das ações em março, após o conflito no Oriente Médio.
Naturalmente, afirma o BTG, nem tudo são flores. O principal risco continua sendo uma deterioração rápida na qualidade dos ativos de crédito consignado privado, além da dependência do banco de parcerias com correspondentes bancários, que envolvem acordos de participação nos lucros.
‘Ainda assim, vemos uma relação risco-retorno mais atraente hoje, e o Pine agora é nossa principal escolha entre os bancos de pequeno e médio porte’, afirmam.
Crédito consignado ainda sem grande concorrência
Os analistas dizem ainda que agentes do mercado veem maior probabilidade de que os gargalos operacionais do produto demorem a ser resolvidos, o que deve manter grandes players afastados dos segmentos explorados pelo Pine por mais tempo.
‘Com as taxas de juros ainda próximas de 5% ao mês, mesmo considerando um aumento gradual nos níveis de provisão à medida que a carteira amadurece, ainda vemos uma expansão relevante na geração de lucros do banco ao longo do tempo’.