O novo óleo — e catalisador — na engrenagem da 3tentos (TTEN3), segundo o BTG Pactual
O BTG Pactual destaca a canola como o novo catalisador da engregenagem da 3tentos (TTEN3).
A companhia já investiu R$ 60 milhões em sua planta de Ijuí (RS), se preparando para esmagar canola por até seis meses ao ano, transferindo efetivamente o principal gargalo operacional para a originação do grão — área na qual a 3tentos tem atuado ativamente para fomentar o cultivo de canola no estado.
E segundo o banco, o estratégia está dando certo: a área plantada no Rio Grande do Sul com canola deve crescer de cerca de 240 mil hectares em 2025 para algo entre 400 mil e 500 mil hectares em 2026.
A economia do negócio é bastante atrativa. O esmagamento de canola apresenta rendimentos estruturalmente superiores aos do esmagamento de soja, em função do teor significativamente maior de óleo — o produto de maior margem do processo.
“Enquanto a soja normalmente gera cerca de 19% de óleo em peso, a canola rende próximo de 40%. Como resultado, os spreads de esmagamento da canola têm sido, em média, cerca de 12% superiores aos da soja nos últimos dez anos, prêmio que se ampliou para aproximadamente 25% nos últimos seis meses”, explicam Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
Com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 26 — o que implica um potencial de alta de 65,82% — a 3tentos também figura entre as 10 small caps escolhidas pelo BTG para janeiro.
O esmagamento de canola da 3tentos
A 3tentos iniciou o esmagamento de canola em sua planta de Ijuí no quarto trimestre de 2025. Embora os analistas do BTG não saibam a participação exata da canola no mix de esmagamento, nossas estimativas indicam que, para cada aumento de 5% na participação da canola no volume total processado, o lucro bruto unitário cresce cerca de R$ 37 por tonelada.
Com capacidade total de esmagamento de aproximadamente 10–11 milhões de toneladas por ano, sendo que a planta de Ijuí responde por cerca de 2 milhões de toneladas anuais — potencialmente metade das quais poderia ser dedicada à canola — isso implicaria até 1 milhão de toneladas de esmagamento de canola, ou cerca de 10% da capacidade total.
Dado o início tardio no quarto trimestre de 2025, os volumes efetivos provavelmente ficaram abaixo desse patamar. Ainda assim, como exercício ilustrativo, assumir um incremento de margem de esmagamento de R$ 80 por tonelada no trimestre implicaria um Ebitda adicional de aproximadamente R$ 50 milhões.
“Estender um ganho de margem semelhante para 2026 se traduziria em algo próximo de R$ 250 milhões de Ebitda incremental, impulsionando um aumento consequente de 20% em nossas estimativas de lucro líquido”.
Os analistas reforçam que esse movimento evidencia como a canola pode se tornar um novo e relevante vetor de crescimento de resultados na tese de investimento, com potencial para elevar o patamar estrutural das margens da indústria — um ponto que, na avaliação do BTG, ainda não está devidamente precificado pelo mercado.