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O que a Allos (ALOS3) tem feito para ser reconhecida como boa pagadora de dividendos, segundo a CFO

12 jun 2026, 15:00 - atualizado em 11 jun 2026, 15:25
fundo imobiliário Hedge Brasil Shopping (HGBS11) Shopping Parque Dom Pedro (Imagem divulgaçãoAllos)
Shopping Parque Dom Pedro (Imagem divulgaçãoAllos)

A Allos (ALOS3) quer mudar a forma como o mercado enxerga as empresas de shopping centers. Tradicionalmente associadas à geração de caixa recorrente, mas não necessariamente a distribuições robustas de dividendos, as companhias do setor vêm ficando para trás em uma disputa cada vez mais acirrada pela atenção dos investidores. A aposta da Allos é ocupar justamente esse espaço.

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“Nós queremos ser reconhecidos como um bom pagador de dividendos”, afirma Daniella Guanabara, diretora financeira e de relações com investidores da companhia, em entrevista ao programa Money Minds. Assista aqui ou abaixo à íntegra do programa.

A estratégia ganhou força após a fusão que deu origem à empresa e foi acompanhada por uma ampla reciclagem de portfólio, venda de ativos não estratégicos, redução de investimentos e reorganização do balanço.

Segundo a executiva, desde o anúncio da fusão, a companhia já retornou cerca de R$ 4 bilhões aos acionistas. Na mesma comparação, o valor de mercado da empresa passou de aproximadamente R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões.

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“O dividendo mensal faz com que você tenha menos risco de carregar a ação, porque você já sabe que vai ter aquele retorno definido pelo guidance de dividendo que a gente tem”, diz Guanabara.

A revolução dos dividendos

Na avaliação da CFO, a Allos vem promovendo uma mudança relevante dentro do próprio setor.

Nos últimos anos, a companhia alterou sua política de distribuição e passou a utilizar como referência o FFO (Funds From Operations), indicador que representa o lucro caixa das operações imobiliárias, em vez de olhar exclusivamente para o lucro líquido contábil.

O payout também aumentou gradualmente.

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Primeiro, a empresa passou a distribuir 25% do FFO. Depois elevou esse percentual para 50%. Mais recentemente, diante de um cenário de juros elevados e menor apetite para grandes investimentos, decidiu ampliar ainda mais o foco na remuneração ao acionista.

A lógica, segundo Guanabara, é simples. Com menos projetos de expansão demandando grandes volumes de capital e uma estrutura de dívida mais equilibrada, a companhia passou a gerar caixa em velocidade superior à necessidade de reinvestimento.

“Dar essa previsibilidade para o investidor é muito importante. Até mais do que o valor em si”, afirma a executiva.

Hoje, a empresa divulga anualmente um guidance indicando quanto pretende distribuir aos acionistas no ano seguinte, prática ainda incomum na bolsa brasileira.

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Mais pessoas físicas

A estratégia parece estar surtindo efeito.

Segundo a CFO, a base de investidores pessoa física da companhia mais do que dobrou, passando de cerca de 50 mil para mais de 100 mil acionistas. Fundos com mandatos focados em dividendos também passaram a figurar entre os investidores relevantes da empresa.

Uma consequência desse movimento foi o aumento da liquidez das ações.

De acordo com a executiva, os papéis da companhia vêm movimentando mais de R$ 150 milhões por dia, chegando recentemente a superar R$ 180 milhões em negociações diárias.

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Onde entra a recompra

Além dos dividendos, a Allos também tem recorrido aos programas de recompra de ações como ferramenta de geração de valor.

Segundo Guanabara, a companhia aproveitou momentos de maior pressão sobre a cotação para adquirir ações no mercado.

“Quando a ação caiu, a gente fez bastante programa de recompra, que aumenta o lucro por ação e aumenta o dividendo por ação, que é bom para o acionista final”, afirma.

O racional é conhecido pelos investidores: ao reduzir a quantidade de ações em circulação, a empresa aumenta a participação proporcional dos acionistas remanescentes nos lucros futuros.

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Os resultados já aparecem nos indicadores da companhia. No segundo trimestre de 2025, o FFO por ação avançou 8,8%, para R$ 0,61. No primeiro semestre, a empresa retornou R$ 456,4 milhões aos acionistas entre dividendos, juros sobre capital próprio e recompra de ações.

A combinação entre dividendos previsíveis, recompras e geração recorrente de caixa passou a ocupar um papel central na tese de investimentos da companhia.

E, se depender da administração, continuará assim.

“Dividendos devem continuar como um pilar”, diz Guanabara. “Todo ano a gente vai indicar quanto pretende pagar no ano seguinte.”

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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