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O que esperar das ações da Braskem após México enjeitar fornecimento de gás?

03 dez 2020, 8:47 - atualizado em 03 dez 2020, 8:49
Braskem (BRKM5)
O setor ainda deve permanecer com margens prejudicadas por conta dos baixos spreads de produtos petroquímicos (Imagem: Instagram/Braskem)

Após o acentuado recuo das ações da Braskem na véspera (2), cuja sessão foi positiva para o Ibovespa (IBOV), o que se pode esperar daqui em diante em relação à companhia, diante da decisão de corte do fornecimento de gás pelo governo mexicano da central petroquímica erguida pela Braskem (BRKM5).

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O BB Investimentos tem um posição cautelosa em relação aos papéis da petroquímica, mas elevou seu preço-alvo a R$ 26 por ação, ante R$ 25 anteriormente, após a Braskem ter apresentado suas perspectivas para o setor, durante um evento no início da semana.

“Apesar do evento ter reforçado nossa impressão de uma governança corporativa eficiente e bem direcionada na Braskem, o setor ainda deve permanecer com margens prejudicadas por conta dos baixos spreads de produtos petroquímicos e com as incertezas relacionadas ao fenômeno geológico ocorrido em Alagoas“, pondera o analista Daniel Cobucci.

No espectro nacional, o segundo semestre de 2020 apresentou rápida recuperação na demanda por resinas. Portanto, segundo a companhia, ainda há perspectiva de crescimento de 0,5% neste ano e de 3,4% em 2021.

Em Alagoas, a Braskem estima um gasto adicional de R$ 3 bilhões com custos e despesas para a implementação de medidas definidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para fechamento de minas instáveis de extração de sal na capital Maceió.

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No balanço financeiro do terceiro trimestre, a Braskem havia informado provisões de cerca de 8 bilhões de reais relacionado ao afundamento de solo que autoridades atribuem à atividade de mineração da Braskem realizada abaixo de Maceió e que forçou a realocação de milhares de moradores.

Tensão no México

O presidente do México foi categórico ao dizer que o contrato com a Braskem não será renovado (Imagem: Reuters/Henry Romero)

O presidente do México, Andrés López Obrador, afirmou que não vai renovar o contrato de fornecimento de gás natural para a central petroquímica da Braskem no país latino.

“O contrato chegou ao fim e não será renovado”, disse Obrador a jornalistas.

A empresa informou que o insumo energético é essencial para produção de polietileno no complexo e respeitando protocolos de segurança, a petroquímica disse que a Braskem Idesa iniciou os procedimentos para a interrupção imediata das atividades operacionais.

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“Consideramos a Braskem como uma companhia cada vez mais globalizada, com boas perspectivas de longo prazo. Preocupa, no caso da operação no México, a situação das margens recorrentes após a implantação do novo terminal de importação, dados os custos que tal operação pode trazer”, destaca o analista sobre a situação delicada da companhia.

Para 2021, o cenário para o setor segue desfavorável, dado o ciclo de baixa nos spreads petroquímicos, principalmente em polietileno, além das incertezas relacionadas à demanda por conta da segunda onda da Covid-19.

Ticker Recomendação Preço-alvo (R$) Valorização (%)
BRKM5 Neutra 26 9,7
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Repórter
Repórter de renda fixa do Money Times e Editor de agronegócio do Agro Times desde 2019. Antes foi Apurador de notícias e Pauteiro na Rede TV! Formado em Jornalismo pela Universidade Paulista (UNIP) e em English for Journalism pela University of Pennsylvania. Motivado por novos desafios e notícias que gerem valor para todos.
lucas.simoes@moneytimes.com.br
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