Entrevista

O que fez o RBVA11 ser o primeiro FII do Brasil a receber nota da Moody’s — e o que falta para chegar ao nível máximo, segundo gestor

09 out 2026, 7:00
Alexandre Rodrigues, sócio e gestor da Rio Bravo (Imagem: divulgação)
Alexandre Rodrigues, sócio e gestor da Rio Bravo (Imagem: divulgação)

O Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11) é o primeiro FII da indústria a receber uma avaliação da Moody’s Local Brasil. O fundo, gerido pela Rio Bravo Investimentos, recebeu a classificação REF-2.br, segundo nível de uma escala de cinco — em que 1 representa a melhor e 5, a pior.

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A nota indica que o veículo apresenta características acima da média entre os fundos imobiliários avaliados pela agência. Entre os fatores considerados estão a diversificação do portfólio, a previsibilidade das receitas, o nível de alavancagem, a eficiência operacional e a qualidade da equipe de gestão.

Mas o que, de fato, levou o RBVA11 à nota REF-2.br? E o que falta para chegar ao nível máximo?

Em entrevista ao Money Times, Alexandre Rodrigues, sócio e gestor da Rio Bravo, explicou como nasceu a classificação, os pontos positivos e negativos apontados pela Moody’s e quais são os próximos passos para o veículo subir na escala.

Como surgiu a avaliação da Moody’s

O executivo contou que a iniciativa surgiu de conversas entre a própria Rio Bravo e a Moody’s. Segundo ele, a intenção da casa era obter, com alguma agência de classificação de risco, uma análise que fosse além de uma avaliação tradicional de crédito e levasse em conta as características do RBVA11 enquanto FII.

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“A gente queria uma classificação mais completa, não apenas na ótica de avaliar o RBVA11 como um credor, o que seria um rating, mas avaliar o RBVA11 como um fundo imobiliário”, afirmou Rodrigues, ao dizer por que contratou a Moody’s para emitir o parecer.

“Então, eles (Moody’s) vieram aqui, olharam toda a nossa cozinha e atribuíram uma nota para o RBVA como um FII. Eles nunca tinham feito uma avaliação dessa no Brasil.”

O que falta para chegar à nota máxima?

Mas mesmo ocupando o segundo nível da escala, o RBVA11 ainda tem pontos a melhorar, de acordo com a avaliação da Moody’s.

Um deles, conforme contou o gestor, está relacionado ao desempenho da cota do fundo, que acumula queda de aproximadamente 13% na bolsa de valores em 2026.

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“A Moody’s coloca no relatório uma melhora da precificação no próprio mercado secundário. Ou seja, o primeiro passo para a nossa nota melhorar seria o papel subir na B3”, afirmou Rodrigues.



E como a Rio Bravo pretende fazer a cota subir? Para o gestor, parte da resposta está dentro do próprio fundo.

O executivo contou que a casa vem trabalhando na reciclagem e no reposicionamento do portfólio, especialmente de imóveis que anteriormente funcionavam como agências bancárias.

“Durante o ano de 2026, a gente vem reposicionando muitos empreendimentos que eram agências bancárias para outros segmentos”, explicou.

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“Então, a gente vem cada vez mais provando a força do portfólio do RBVA11, com novas locações e com vendas de ativo”, acrescentou.

Mas, para além da gestão ativa, Rodrigues também apontou outro fator importante para a cota andar: a comunicação com o mercado.

“Esses dois pontos juntos, reciclagem de portfólio e comunicação, podem ajudar a cota a subir. E tem o macro também, mas isso a gente não controla.”

RBVA11 quer crescer sem perder a tese

O objetivo da Rio Bravo, segundo Rodrigues, tem sido aumentar o patrimônio do RBVA11, mas sem necessariamente elevar na mesma proporção o número de imóveis.

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O fundo reúne, hoje, 74 ativos voltados ao varejo, distribuídos por diferentes regiões do país. A carteira combina varejo tradicional, ativos varejistas Triple A e imóveis educacionais, compondo um perfil diversificado.

Portfólio do RBVA11 (Imagem: reprodução/ relatório gerencial)

A estratégia, de acordo com o gestor, é buscar ativos maiores, ganhar escala e reduzir a concentração da receita entre os locatários.

Atualmente, o maior inquilino representa entre 20% e 25% da receita do fundo. A meta de médio prazo é reduzir essa participação para algo entre 5% e 10%.

O gestor citou como referência o Realty Income, um REIT norte-americano focado no varejo, no qual nenhum locatário representa mais de 3% da receita.

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“Aqui, o nosso maior inquilino tem 20% ou 25% da receita. Então, a gente ainda tem passos importantes para dar em termos de crescimento e diversificação”, afirmou.

Receita por locatário do RBVA11 (Imagem: reprodução/ relatório gerencial)

Varejo preocupa, mas cenário não é homogêneo

O reposicionamento do portfólio do RBVA11, de agências bancárias para o varejo, acontece em um momento de maior atenção à saúde financeira das empresas, com aumento de pedidos de recuperações judiciais e extrajudiciais no setor.

À reportagem, Rodrigues reconheceu que a deterioração do segmento afeta o mercado imobiliário, principalmente pela dificuldade de encontrar novos ocupantes para imóveis que ficam vagos.

Por outro lado, afirmou que os principais locatários do fundo imobiliário apresentam, hoje, uma situação diferente.

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“Quando a gente olha os nossos inquilinos, eles não são os que estão quebrando. Centauro, por exemplo, está numa posição muito boa, assim como a Renner e o Assaí”, afirmou.

O gestor também citou o Grupo Pão de Açucar (GPA), que entrou em recuperação extrajudicial, mas ponderou que a companhia não atrasou pagamentos de aluguel ao FII.

“A situação do varejo não é homogênea, não dá para colocar todo o varejo num pote e analisar ele como se fosse a mesma coisa”, afirmou.

A vacância física do RBVA11, cabe destacar, está atualmente entre 8% e 9%, segundo dados mencionados na entrevista. Quanto a isso, Rodrigues ponderou que existem propostas em andamento para alguns dos imóveis e que novas locações devem ser anunciadas.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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