Por que a crise da Casas Bahia (BHIA3) fez a ação do Magalu (MLGU3) disparar 7% nesta segunda (17)
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) lideram os ganhos do Ibovespa (IBOV) nesta segunda-feira (17), com salto de 7%, diante do derretimento de 33% dos papéis da Casas Bahia (BHIA3) após o resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) e o pedido de recuperação judicial da varejista.
Para os analistas do JP Morgan, a situação da Casas Bahia pode favorecer a concorrência.
“Analisando o impacto potencial no nível de ações individuais, acreditamos que isso deve se traduzir em uma posição competitiva mais favorável para o Magazine Luiza, especialmente no canal físico, onde a Casas Bahia é uma concorrente-chave com escala semelhante”, disseram em relatório.
Segundo os analistas o banco, os fechamentos de lojas da Casas Bahia e a reestruturação financeira “provavelmente estão impulsionando ganhos de participação de mercado nos segmentos principais de eletrodomésticos e eletrônicos de consumo”.
Na avaliação do economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, os investidores partem da premissa de que a Magazine Luiza pode ganhar uma fatia de participação de mercado da Casas Bahia, o que favorece o movimento de alta do ativo no pregão.
Além disso, um fator técnico também deve estar por trás do ganho da ação hoje, segundo Bertotti: o encerramento de posições vendidas.
No entanto, o head de renda variável lembra que a alta de MGLU3 não altera os fundamentos para a companhia no médio prazo.
Por volta das 16h04 (horário de Brasília), Magazine Luiza subia 7,42%, a R$ 4,20.
No marketplace, Mercado Livre ganha?
Para o Citi, o Mercado Livre (MELI34) deve ter um impacto marginalmente negativo com a recuperação judicial da Casas Bahia, visto que tem parceria estratégica com a varejista brasileira desde novembro de 2025.
“A parceria tinha como objetivo solucionar uma lacuna histórica no sortimento do MELI, especialmente em categorias de eletrônicos e eletrodomésticos volumosos e pesados, nas quais a plataforma tradicionalmente apresentava menor penetração”, avalia o Citi.
Para o banco, uma alternativa poderia ser uma futura parceria com o Magazine Luiza, que atualmente mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon Brasil.
Ao mesmo tempo, o Citi considera as vendas próprias do Mercado Livre poderiam eventualmente se beneficiar de uma melhora nas negociações com fornecedores.
No primeiro trimestre de 2026 (1T26), o Mercado Livre indicou que, embora as vendas próprias ainda exerçam pressão sobre as margens, elas vêm melhorando consistentemente graças aos ganhos de escala e à tecnologia implementada para aprimorar a gestão de compras, preços e estoques.
O que esperar das varejistas adiante?
Na avaliação de Bertotti, da Fami Capital, as empresas cíclicas estão com alavancagem elevada, em um contexto de deterioração macroeconômica, com aluguéis altos e também o endividamento das famílias pesando na geração de receita recorrente.
Com isso, explica, as varejistas olham para o capital de giro no curto prazo, priorizando a simplificação de estruturas.
“Sabemos que há também concorrência de empresas estrangeiras, como a Shein, e o cenário macroeconômico vem se deteriorando, pegando principalmente o varejo físico”, afirma Bertotti, que acrescenta que a Magazine Luiza foi pioneira do varejo eletrônico no país.
Mais adiante, segundo ele, a tendência é de que o cenário siga desafiador com os juros domésticos elevados e as varejistas focando em medidas de curto prazo para melhorar o capital de giro.