O que são contratos autônomos (ou “smart contracts”)?

07/11/2020 - 13:00
Nossa série “Bê-a-bá Cripto” apresenta diversos conteúdos específicos para que você entenda o passo a passo (o bê-a-bá) do mercado cripto (Imagem: Freepik/pch.vector)

“Contratos autônomos” ou “contratos inteligentes” (do inglês “smart contracts”) são partes de código que realizam um conjunto de instruções pré-programadas, sem que outra pessoa verifique suas informações.

Vitalik Buterin, cofundador da Ethereum, rede conhecida por todas as inovações cripto nos últimos anos, acredita que esse seja o futuro do blockchain.

Se o bitcoin é considerado o ouro do mundo dos negócios, contratos autônomos são o combustível que move esse mundo, afirma o Decrypt.

Como seria a compra de um carro sem um contrato autônomo, ou seja, de forma convencional?

Seria necessário acessar um site com todos os carros que você gostaria de ver, contatar os vendedores, realizar o pagamento por um sistema quando você tiver escolhido um modelo, garantir um termo de reembolso caso você volte atrás, além de precisar registrar a posse do carro em seu nome.

É um processo longo e demorado, pois cada etapa depende de uma empresa ou pessoa diferente, que pode agir de má-fé, atrapalhando a aquisição do bem.

Já em um blockchain, com um contrato autônomo, não seria necessário confiar em tantos intermediários para adquirir um carro.

“Contratos inteligentes não são contratos”
e outras questões jurídicas de cripto

Um contrato inteligente pode implementar um registro, um sistema de votação, um jogo, dentre outros. As possibilidades são infinitas e isso faz parte da empolgação sobre o blockchain (Imagem: Freepik/vectorpouch)

Decrypt lista as vantagens de usar um contrato autônomo:

segurança: a criptografia evita que pessoas alterem registros já feitos;

transparência: todos podem ver o contrato autônomo no blockchain e para que está sendo usado;

descentralização: sem a necessidade de intermediários, o blockchain verifica a autenticidade das informações para você.

– precisão: esses contratos são escritos em linguagem de programação e não são suscetíveis a diversas interpretações, assim como termos tradicionais de um acordo.

O controlador das decisões não é um banco (ou um terceiro), e sim um blockchain. Qualquer pessoa pode firmar um acordo com outra usando blockchain, onde as informações sobre quanto e quando foi transferido ficam disponíveis em um registro público.

Ethereum, o principal blockchain quando o assunto é contratos autônomos, deu vida às famosas aplicações descentralizadas (dapps), que são, basicamente, a união de diversos contratos autônomos.

Enquanto um contrato autônomo realiza um tipo de transação, dapps são capazes de operar diversos contratos para executar acordos mais sofisticados, explica o Decrypt, citando Augur, MakerDAO, Uniswap, CryptoKitties e Argent.

Clique aqui para entender a diferença entre dapps e plataformas blockchain.

CryptoKitties são um dos maiores casos de sucesso das dapps que executam milhares de contratos autônomos; alguns gatinhos exclusivos valem centenas de milhares de dólares (Imagem: CryptoKitties)

É importante mencionar que o conceito de contratos autônomos não surgiu com a tecnologia blockchain, e sim de programas de execução eletrônica que usavam afirmações condicionais (“if/else”) para automaticamente produzir um resultado com base nas informações que foram apresentadas.

O que são plataformas de contratos autônomos?
Entenda sua evolução em 2020

A rede Ethereum implementou uma linguagem de programação integrada “Turing-completude”, ou seja, é capaz de solucionar qualquer problema computacional.

O termo “smart contract” foi cunhado pelo criptógrafo Nick Szabo na década de 1990. Szabo é conhecido por ter desenvolvido Bit Gold, um dos primeiros precursores do bitcoin. 

A descrição de 1994 sobre contratos autônomos visava reduzir fraudes e reforçar acordos contratuais e, em 1996, Szabo ampliou o conceito da tecnologia para um possível caso de uso com dinheiro eletrônico.

Contratos autônomos são imutáveis em blockchains; quando são lançados, não podem ser alterados nem atualizados, o que pode resultar em consequências desastrosas se houver problemas no código.

Isso aconteceu em 2016, quando a rede The DAO foi atacada, resultando na divisão (bifurcação) entre Ethereum (ETH) e Ethereum Classic (ETC). Clique aqui para saber mais.

Esse problema também aconteceu em setembro de 2020, com o colapso da versão de testes de Eminence, um projeto sendo desenvolvido por Andre Cronje, criador do famoso protocolo Yearn Finance.

Um hacker conseguiu roubar US$ 15 milhões do Eminence, logo após diversos usuários terem investido milhões no projeto.

Assim, novos projetos precisam realizar auditorias e os possíveis investidores precisam pesquisar bastante antes de investir em um projeto que parece bom demais para ser verdade.

Ele até pode cumprir com o que promete, mas é melhor prevenir (esperar que a auditoria seja realizada) do que remediar (desenvolvedores suspenderem a atividade da plataforma quando um hack acontecer).

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 06/11/2020 - 16:28

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