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Gatinhos virtuais e a escassez digital

06/06/2020 - 11:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Quem diria que gatinhos virtuais alimentados por contratos inteligentes seriam uns dos principais percussores da tecnologia blockchain e caso de uso da escassez digital (Imagem: Pixabay/IRCat)

Grande febre de 2017, CryptoKitties é um jogo on-line alimentado por blockchain onde usuários podem comprar e vender gatinhos virtuais colecionáveis.

Embora um jogo virtual para colecionar gatinhos pareça insignificante e, de certa forma, bobo, CryptoKitties foi a primeira aplicação descentralizada (dapp) em grande escala na rede Ethereum.

O conceito de “escassez digital” é um fator fundamental por trás dos CryptoKitties e é considerado valioso para a economia descentralizada.

CryptoKitties é um novo jogo on-line alimentado por blockchain onde usuários podem comprar e vender gatinhos virtuais colecionáveis em um mercado, além de criar novos gatinhos.

Já que CryptoKitties foi criado na tecnologia blockchain, cada gatinho virtual é único e possui suas próprias características.

Além disso, cada gatinho pertence a apenas uma pessoa que o comprou e a empresa por trás do jogo, Axion Zen, não possui controle sobre o jogo além da programação original na Ethereum.

Isso permite que jogadores tenham completa governança e controle sobre seus gatinhos virtuais e como escolhem jogar.

Gatos que têm características únicas são considerados os mais valiosos. Quando dois gatos de características únicas se cruzam, seu filhote pode se tornar ainda mais valioso já que as características serão ainda mais únicas.

Quanto mais diferente for o gatinho, mais caro ele poderá custar no marketplace CryptoKitties.

CryptoKitties atraiu tanta atividade de usuários desde seu lançamento que, a certo momento, o jogo totalizou 14% de todas as transações na rede Ethereum. Além disso, quase US$ 36 milhões foram gastos nos gatinhos virtuais, em que o mais caro foi vendido por mais de US$173 mil.

Um aspecto importante do motivo pelo qual CryptoKitties são considerados valiosos é o conceito de “escassez digital”.

O gatinho virtual #896775 é o mais caro até hoje, vendido por US$ 173 mil a preços atuais (Imagem: CryptoKitties)

O que é escassez digital?

Hoje, usuários da internet têm acesso a conteúdo quase ilimitado. O custo de armazenamento e transferência de dados é quase nulo, então não é surpreendente que temos acesso a uma quantidade infinita de mídias on-line.

Além disso, todos os tipos de mídias digitais se tornaram facilmente compartilháveis e replicáveis, quer o dono da propriedade intelectual aprove ou não. Isso criou “abundância digital”.

Embora abundância digital possa ser algo bom para o usuário, está longe de ser benéfica para pessoas e empresas que produzem o conteúdo — já que seu trabalho pode ser copiado e compartilhado sem permissão ou remuneração.

É por isso que a ideia de escassez digital está se tornando um tópico importante no mundo das mídias digitais e do entretenimento.

A teoria econômica nos ensina que escassez é o que torna bens valiosos. Quanto mais escasso for um ativo, mais valioso ele será, como ouro, diamantes e terras.

Ouro
Ouro é um ativo valioso devido sua escassez; bitcoin e gatinhos virtuais também podem entrar nessa definição (Imagem: REUTERS/Edgar Su)

Porém, se o atrativo da escassez for retirado, bens perdem valor rapidamente e isso é ativo mais evidente na internet. Talvez o exemplo mais famoso de perda de escassez tenha sido sofrido pela indústria musical.

Agora, pessoas podem pagar qualquer álbum (ilegalmente) logo que for lançado, de graça, com pouca ou nenhuma consequência jurídica. Napster, plataforma de compartilhamento ponto a ponto, pavimentou o caminho para isso em 1999.

A pirataria musical custou bilhões às indústrias da música, e a indústria do cinema sofre um destino parecido, já que streamings ilegais de filmes ainda estão sendo usados por muitos usuários da internet.

Escassez digital é um conceito relativamente novo e se refere à criação de escassez no âmbito digital. Assim, a forma como publicadores de conteúdo tentaram criar escassez digital foi por meio de “paywalls”.

Alguns jornais, como o Wall Street Journal, aplicam esse método para criar escassez digital. Um paywall requer que usuários paguem por uma assinatura mensal e ganhem acesso a conteúdos exclusivos.

No entanto, esse método possui suas limitações e não conseguiu evitar a pirataria de forma significativa.

Usando o blockchain, a emissão de um ativo virtual pode ser limitada, além de ser programada por um período específico de tempo (Imagem: Freepik/pikisuperstar)

Como o blockchain apresentou escassez digital?

CryptoKitties é um ótimo exemplo da aplicação de escassez digital. Quanto mais único for um gatinho, mais escasso ele será e, assim, mais valioso será para outros usuários.

Por meio da apresentação de escassez digital, foi criado um novo ativo econômico na forma de gatos virtuais. Isso foi possível graças à tecnologia blockchain.

Usando o blockchain, a emissão de um ativo virtual pode ser limitada, além de ser programada por um período específico de tempo. Cada ativo também pode ser ligado, de forma imutável, a seu dono, que tem controle total sobre o ativo até ser vendido ou transferido para outro dono.

Ao conseguir verificar governança automaticamente, agora é ativo mais fácil proliferar escassez, já que permite que o criador de um ativo virtual crie o nível de escassez digital que ele ou ela acredita ser o certo para que seu ativo seja vendido, a um nível de preço que faça sentido.

Sem dúvidas, o exemplo mais bem-sucedido de escassez digital criado com a tecnologia blockchain é o modelo de emissão do bitcoin (BTC). Apenas 21 milhões de bitcoins poderão ser minerados e a taxa em que novos bitcoins são criados é reduzida a cada quatro anos (halving).

Esse é um dos principais motivos pelos quais investidores acreditam que o bitcoin valha quase US$ 20 mil hoje em dia, já que possui um fornecimento fixo enquanto a possível demanda pelo bitcoin como uma reserva de valor, um ativo de investimento, uma rede de transferência e uma moeda de remessas possa ser infinita.

Dado que mídias digitais é um mercado crescente, o conceito de escassez digital terá, cada vez mais, um papel fundamental nessa nova economia (Imagem: Pixabay/Megan_Rexazin)

A escassez digital será alimentada por blockchain

Bitcoin e CryptoKitties são exemplos excepcionais de escassez digital. Graças à natureza versátil da tecnologia blockchain, inúmeros modelos comerciais baseados em valores mobiliários digitais também podem ser criados.

Por exemplo, um músico pode usar uma rede de distribuição de músicas baseada em blockchain para criar um contrato inteligente que só permite que seu álbum seja adquirido e baixado cinco mil vezes. Cada álbum teria um código incorporado que identifica o dono da cópia do álbum.

Além disso, se fosse copiado, seria muito fácil identificar quem pirateou o álbum. Isso evitaria bastante pirataria e apresentaria escassez digital para a venda da música de um artista.

Uma produtora cinematográfica que está lançando um novo filme pode usar um serviço de streaming baseado em blockchain que permite que o filme só seja assistido dez mil vezes e, cada vez que ele for transmitido, o preço aumenta crescentemente.

Embora a possibilidade de pirataria não possa ser completamente evitada nesse modelo comercial, ajudaria bastante na redução, já que o modelo de privacidade é baseado na quantia escassa de transmissões disponíveis em que a produtora pode capitalizar.

Dado que mídias digitais é um mercado crescente, o conceito de escassez digital terá, cada vez mais, um papel fundamental nessa nova economia.

Dessa forma, é possível que a tecnologia blockchain se tornará uma parte integral do universo das mídias digitais no futuro e que veremos uma gama de novos modelos comerciais que irão incorporar a escassez digital. Tudo isso será possível com o blockchain.

Cliquei aqui para saber mais sobre a escassez do bitcoin e sua proposta de valor.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 05/06/2020 - 13:52