O único frigorífico que é compra para o BTG Pactual e entrega 6% em rendimentos
O BTG Pactual mantém a JBS (JBSS32) como a única recomendação de compra no setor de proteínas, destacando que o frigorífico combina dividend yield de cerca de 6% com uma avaliação descontada em relação aos pares globais listados. O banco conta com preço-alvo de R$ 110 para o BDR.
Mesmo após uma sequência de aquisições e investimentos para ampliar sua presença internacional — incluindo a expansão recente no mercado halal no Oriente Médio — o banco avalia que a ação ainda não precifica adequadamente a escala, a diversificação geográfica e a capacidade de geração de caixa da companhia.
Segundo os analistas, embora a JBS não pareça “barata” em termos absolutos, negociando a 14,6 vezes o preço sobre o lucro estimado (P/L) para 2026, o papel se destaca no comparativo setorial ao ser negociado a múltiplos inferiores aos de concorrentes internacionais.
Para o BTG, a combinação entre retorno em dividendos, disciplina em alocação de capital e uma estratégia consistente de crescimento mantém a JBS como a melhor escolha relativa no setor, mesmo em um cenário global mais competitivo e volátil para as proteínas.
O avanço da JBS no Oriente Médio
Na visão dos analistas do banco, o movimento de expansão da JBS não é disruptivo, mas representa uma lógica estratégica clara: aumentar a relevância da JBS no mercado halal (isto é, tudo o que é autorizado pela lei islâmica), um mercado amplo, com cerca de dois bilhões de consumidores, que cresce acima da média da população global e costuma apresentar preços mais robustos. Investir em produção local parece uma forma eficiente de acessar esse mercado sem depender exclusivamente de exportações.
“A JBS não está sozinha nessa corrida pelo Oriente Médio, com outros players, como a MBRF (MBRF3), também anunciando projetos de expansão na região. Isso será interessante de acompanhar. Além disso, nos últimos cinco anos, a JBS já anunciou outros quatro investimentos em capacidade produtiva no Oriente Médio”, explicam Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
A companhia tem como meta investir entre US$ 1,0 bilhão e US$ 1,2 bilhão por ano em fusões e aquisições (M&A), buscando um retorno sobre capital investido (ROIC) entre 17% e 20%.
“Se assumirmos um ROIC de 20% para esse projeto, isso implicaria um EBIT de cerca de US$ 30 milhões, menos de 1% do EBIT que projetamos para 2027 (US$ 4,3 bilhões). Com a JBS negociando a 8,4 vezes EV/EBIT 2027, a aquisição é pequena, ainda que potencialmente incremental para os resultados”.