Oncoclínicas (ONCO3) destitui conselho de administração após renúncia de membro; entenda
A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado a renúncia de Marcelo Gasparino do cargo de membro do conselho de administração da companhia, em fato relevante divulgado na manhã desta terça-feira (7).
Gasparino ocupava a posição de presidente do conselho. Tendo em vista que a eleição dos atuais membros do colegiado ocorreu via voto múltiplo, a renúncia implica na destituição de todos os demais membros.
Isso ocorre porque o mecanismo de voto múltiplo prevê que cada acionista receba um número de votos proporcional às suas ações multiplicado pelo número de vagas no conselho. A partir disso, acionistas minoritários conseguem eleger representantes.
No entanto, quando o mecanismo é utilizado, o conselho eleito é visto como um bloco único eleito dentro da proporcionalidade do voto múltiplo. A lei ligada ao voto múltiplo prevê a possibilidade de destituição geral quando há uma renúncia.
Neste cenário, a companhia irá deliberar a eleição de novos membros do conselho em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 30 de abril.
O movimento ocorre em um momento onde o nome da Oncoclínicas está nos holofotes do mercado. Recentemente, a companhia anunciou que seu acionista MAK Capital Fund LP está interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões. Na visão do JP Morgan, a proposta é mais uma evidência da necessidade de capital de curto prazo da companhia.
A proposta, no entanto, não é a única na mesa, uma vez que a Oncoclínicas e a Porto firmaram um term sheet (termo de natureza preliminar e não vinculante) para negociar uma potencial constituição de uma nova empresa, em meio à pressão financeira que a rede de serviços oncológicos enfrenta.
O Fleury também entrou na jogada, tendo aderido ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas.
Mak Capital indica nomes para o conselho
Também nesta terça-feira (7), a Oncoclínicas informou que a Mak Capital, detentora de 6,305% do capital votante da companhia, indicou quatro nomes como candidatos a membros independentes do conselho de administração. São eles:
- Mateus Affonso Bandeira;
- Ademar Vidal Neto;
- Marcos Grodetzky;
- Raul Rosenthal Ladeira de Matos
Os indicados devem concorrer à eleição na AGE a ser realizada em 30 de abril de 2026.
A chapa da administração da Oncoclínicas conta com os nomes de:
- Bruno Lemos Ferrari;
- Carlos Gil Moreira Ferreira;
- Eduardo Soares do Couto Filho;
- Marcel Cecchi Vieira;
- Marcelo Curti; e
- Marcos Grodetzky
- Raul Rosenthal Ladeira de Matos
Reestruturação na Oncoclínicas
A Oncoclínicas vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business.
Na última semana, inclusive, a companhia anunciou que está em discussões com seus credores financeiros.
Além disso, a empresa convocou assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que será apurada no balanço referente ao ano de 2025.
Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda pode ser utilizado em contratos de dívida como uma forma de segurança sobre a estrutura da empresa.
Dessa maneira, a Oncoclínicas busca uma autorização prévia para não cumprir o limite do indicador, caso seja ultrapassado nos resultados de 2025, sinalizando que a alavancagem pode ter aumentado e há pressão financeira de curto prazo.