Oncoclínicas (ONCO3): Centaurus se desfaz de fatia, enquanto IG4 mira companhia
A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado, na noite de sexta-feira (20), o recebimento de correspondência dos acionistas Josephina III e Centaurus TRS (em conjunto, entidades Centauro) informando alteração de participação acionária relevante.
No caso do Josephina III, houve a venda privada de 55 milhões ordinárias da Oncoclínicas, com o fundo passando a deter 112.498.778 ações, representativas de aproximadamente 9,91% do total.
Já a Centaurus TRS firmou um novo aditivo ao instrumento derivativo de liquidação financeira (total return swap), originalmente assinado em 21 de março de 2025, que resultou na redução da posição vendida.
Com isso, a exposição econômica passou de 62.914.808 ações, ou 5,55% do capital social total da Oncoclínicas, para uma exposição equivalente a 7.914.808 ações ou 0,70% do capital social total.
O objetivo das movimentações foi estritamente econômico, não têm a intenção de alterar a composição da estrutura societária e administrativa a e não celebraram qualquer contrato ou acordo vigente, arquivado ou a ser arquivado na sede da companhia, diz o documento.
Com o movimento, a gestora americana deixa a posição de maior acionista da rede de serviços oncológicos. A posição passa para a Latache, com 14,59%.
O momento também não passa despercebido, uma vez que a redução da Centaurus ocorre enquanto a IG4 Capital está de olho na Oncoclínicas e dispustas pela realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) está no radar.
Além das participações atuais, as entidades afirmam que não possuem e nem tem a intenção de adquirir outros valores mobiliários de emissão da rede de oncologia ou instrumentos derivativos, de liquidação física ou financeira, referenciados em ações.
IG4 de olho na Oncoclínicas
Na última semana, a Oncoclínicas informou ao mercado o recebimento de uma oferta não vinculante da IG4 Capital, gestora especializada em empresas com dificuldades, para uma potencial transação de R$ 500 milhões, envolvendo a subscrição de debêntures conversíveis e a criação de um direito de usufruto sobre ações da empresa.
Na prática, a gestora, que está no radar do mercado com presença em casos como Raízen (RAIZ4) e Braskem (BRKM5), compraria debêntures emitidas pela Oncoclínicas, injetando R$ 500 milhões na companhia. Como essas debêntures seriam conversíveis, elas poderiam ser transformadas em ações futuramente, caso as condições previstas sejam cumpridas.
A Oncoclínicas esclarece que o recebimento da oferta não vinculante indicativa não implica em qualquer aceitação, compromisso ou obrigação e que não há qualquer definição acerca de eventual operação com a IG4 Capital ou com qualquer outro interessado.
Recuperação extrajudicial
A oferta da IG4 ocorre após a Oncoclínicas caminhar com o pedido de recuperação extrajudicial (RE), com dívida financeira estimada em aproximadamente R$ 5,1 bilhões.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. A ideia é chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores.
A empresa informou que já conta com a adesão de credores detentores de aproximadamente 37% dos créditos abrangidos pelo plano, percentual suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial.
Agora, correm os 90 dias, contados a partir do processamento da RE, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano, permitindo que 100% dos créditos abrangidos fiquem vinculados às novas condições de pagamento.
Receba gratuitamente as newsletters do Money Times