Oncoclínicas (ONCO3): Fitch rebaixa rating e acende alerta para risco iminente de reestruturação
A agência classificadora de riscos Fitch Ratings rebaixou, na quinta-feira (12), a nota de crédito nacional de longo prazo da Oncoclínicas (ONCO3), de ‘CCC-(bra)’ para ‘C(bra)’. A agência também rebaixou os ratings das 9ª, 11ª e 12ª emissões de debêntures quirografárias da companhia.
De acordo com os analistas, a mudança indica que um processo semelhante à inadimplência teve início, após a Oncoclínicas anunciar ao mercado que está em discussões com os credores para uma eventual prorrogação do pagamento das parcelas de principal e juros da dívida (standstill agreement).
“Caso os termos e as condições originais das emissões de debêntures sejam alterados, e/ou a companhia anuncie formalmente um plano de reestruturação, os ratings serão rebaixados para ‘RD(bra)’, para refletir um default (calote) restrito”, diz a Fitch.
Risco iminente de reestruturação
A Oncoclínicas (ONCO3) anunciou na segunda-feira (9) que está em discussões com seus credores financeiros.
A companhia também convocou assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que será apurada no balanço referente ao ano de 2025.
Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda pode ser utilizado em contratos de dívida como uma forma de segurança sobre a estrutura da empresa.
Dessa maneira, a Oncoclínicas busca uma autorização prévia para não cumprir o limite do indicador, caso seja ultrapassado nos resultados de 2025, sinalizando que a alavancagem pode ter aumentado e há pressão financeira de curto prazo.
Na visão da Fitch, o anúncio eleva as chances de uma reestruturação iminente da dívida. Os analistas destacam ainda que a liquidez da Oncoclínicas é insuficiente para honrar o serviço da dívida e sua alavancagem é insustentável nos níveis atuais, o que restringe as alternativas de refinanciamento.
Estimativas
Pelos cálculos da Fitch, a Oncoclínicas deve encerrar 2025 com saldo de caixa inferior a R$ 100 milhões, ante vencimentos de dívida de R$ 745 milhões em 2026 e R$ 810 milhões em 2027.
A Fitch estima que as alavancagens bruta e líquida atuais, em bases pro forma considerando a capitalização realizada em novembro de 2025, posicionam-se em torno de 6,0 vezes. Esses cálculos diferem dos da métrica dos covenants da companhia.
Além da estrutura de capital em níveis insustentáveis, a Oncoclínicas enfrenta desafios para retomar o crescimento da operação, somado a necessidades elevadas de capital de giro e a altas despesas financeiras.
“Estes fatores devem continuar limitando a geração recorrente de fluxo de caixa das operações (CFO) positivo pela companhia. A Fitch projeta Ebitda (pré-IFRS) em torno de R$ 600 milhões em 2025, e CFO negativo em torno de R$ 600 milhões”, diz a agência.