Oncoclínicas (ONCO3) nega conhecimento sobre venda de fatia do Goldman Sachs para a IG4
A Oncoclínicas (ONCO3) esclareceu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que não tem conhecimento sobre uma eventual negociação privada envolvendo seus acionistas.
Após o Pipeline, do Valor Econômico, noticiar que a gestora IG4 estaria negociando a fatia do Goldman Sachs na rede de saúde, a CVM a questionou sobre a notícia, que afirmou não ter recebido nenhuma comunicação formal sobre a transação.
No comunicado, enviado ao mercado na noite de sexta-feira (6), a Oncoclínicas destaca que não houve procura para tratar de qualquer aspecto envolvendo o tema, sendo esta a razão para não possuir informações adicionais que permitam confirmar, comentar ou detalhar o conteúdo da notícia.
“Ainda, em observância à regulamentação aplicável, a companhia informa que a diretoria inquiriu os membros de seu conselho de administração acerca de eventual conhecimento sobre os fatos e tratativas mencionados na notícia, tendo sido confirmado por tais conselheiros que não possuem conhecimento a respeito do assunto”, diz o documento.
O Goldman detém 21,17% da Oncoclínicas e, de acordo com fontes ouvidas pelo Pipeline, a expectativa é de fechamento da operação ainda em fevereiro.
Ainda segundo o jornal, a ideia da IG4 é compor, junto com a Latache e o Santander, a trajetória de turnaround (reestruturação) da companhia. No entanto, as conversas com outros dois ainda estariam em andamento. O alinhamento deve se tornar prioridade em uma eventual concretização da operação com o Goldman.
O que está acontecendo na Oncoclínicas?
A Oncoclínicas vive um momento de mudanças no alto escalão, reorganização da companhia e com o envolvimento da companhia no caso do banco Master.
Em 2025, a gestora Starboard tentou se aproximar da companhia, propondo uma compra de créditos para conversão em ações, no entanto, as condições foram negadas.
Nascida há 15 anos em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade de expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa. Entre as medidas para pôr a casa em ordem, a companhia vem executando a venda de hospitais, suspensão de construções, entre outros.
A bússola da Oncoclínicas norteia agora o retorno para o básico, mas o mercado ainda desconfia da efetividade das medidas para solucionar o problema.
Mudanças no alto escalão
Na última semana, a Oncoclínicas informou ao mercado a eleição de Camille Loyo Faria para o cargo de vice-presidente executiva da companhia.
A executiva foi diretora de finanças e relações com investidores da Americanas entre fevereiro de 2023 e novembro de 2025, da TIM entre agosto de 2021 e janeiro de 2023 e da Oi entre novembro de 2019 e agosto de 2021.
Além da nova função, Faria assumirá os cargos de diretora executiva financeira (CFO) e diretora executiva de relações com investidores (RI), em substituição a Cristiano Camargo. A executiva toma posse em 9 de fevereiro de 2026.
A Oncoclíninas informou no mesmo fato relevante que o atual diretor-presidente da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, segue responsável pela gestão das áreas médica e científica e pelas parcerias estratégicas com operadoras de planos de saúde, até a conclusão do processo de sucessão pelo conselho de administração.
A empresa confirmou em janeiro a contratação da consultoria Spencer Stuart para selecionar potenciais candidatos para ocupar futuramente a posição.