Onde os milionários se escondem: os ‘bunkers’ do turismo de luxo, acessíveis apenas por jatinho, iate ou contatos certos
Para os ultra-ricos, a definição de status passou por uma transformação profunda. A ostentação deu lugar ao chamado quiet luxury, com menos exposição, mais privacidade — e exclusividade.
Em uma era de redes sociais hiperexpostas, o privilégio máximo está no poder de permanecer completamente fora do radar. O mesmo também vale para o turismo, que atrai a elite global para refúgios isolados, acessíveis apenas por jatinho, helicóptero, iate ou por meio de uma restritíssima rede de contatos.
A seguir, confira alguns destinos luxuosos que, embora famosos pelo prestígio, estão longe de serem populares.
Cavallo (Mar Mediterrâneo, França)

Entre a Córsega e a Sardenha, a ilha de acesso restrito de Cavallo é famosa por suas águas translúcidas e natureza preservada. O acesso é restrito para iates privados de proprietários e hóspedes do exclusivíssimo Hôtel des Pêcheurs, com diárias que superam os € 3,2 mil.
Descrita pelos poucos que a frequentam como um mundo à parte, Cavallo é protegida e cobiçada pela elite global, limitando o acesso para que continue sendo um segredo guardado.
Para quem busca permanência, as raras vilas privadas de pedra encravadas nas rochas, com praias privativas, helipontos e projetos assinados por arquitetos renomados, chegam a custar € 18 milhões.
Skorpios (Mar Jônico, Grécia)
Antiga ilha privada de Aristóteles Onassis, a ilha Skorpios foi palco de seu casamento com Jacqueline Kennedy e, posteriormente, convertida em um resort de ultra-luxo hiper-restrito.
O complexo funciona como um “resort de propriedade única”; não é possível reservar apenas um quarto individual. O cliente precisa fechar o complexo inteiro, que acomoda até 50 pessoas e conta com heliponto, marina para superiates e segurança de nível militar para garantir privacidade para hóspedes de altíssimo patrimônio.
Esqueça os sites de turismo: o acesso é feito apenas sob consulta de antecedentes e convites diretos. Estimativas divulgadas por veículos internacionais apontam custo na casa de € 1 milhão por semana para estadias exclusivas na ilha.
Il San Pietro di Positano (Positano, Itália)

Embora localizado na badalada Costa Amalfitana, este hotel funciona como uma fortaleza. Encravado em um penhasco, oferece acesso à sua praia privada por meio de um elevador esculpido por dentro da rocha.
As diárias chegam a custar mais de € 5 mil na alta temporada, mas o preço é apenas parte do filtro. Clientes fiéis que frequentam o hotel há décadas têm prioridade vitalícia na reserva das mesmas suítes todos os anos.
Para um milionário “novo” ser incluído nas reservas, é preciso entrar em uma fila de espera ou usar contatos muito influentes para conseguir um quarto.
Amangiri (Utah, EUA)

O isolamento de alto luxo não se restringe às ilhas. Escondida em um cânion no coração do deserto, a arquitetura de concreto cru do Amangiri foi projetada para mimetizar as formações rochosas ao redor.
O local tornou-se o “bunker” favorito de bilionários do Vale do Silício e de estrelas de Hollywood devido ao seu rígido esquema de segurança, que impede a aproximação de qualquer pessoa que não seja hóspede.
Para chegar até o hotel, é preciso voar de helicóptero ou jatinho privado até o aeródromo de Page, no Arizona, seguido por um traslado privativo pelo deserto.
As diárias escalam para além de US$ 9,4 mil nas suítes principais. Se o objetivo for a privacidade absoluta, o resort possui uma vila privada de seis quartos em meio ao deserto selvagem, disponível pela bagatela de aproximadamente US$ 45 mil por noite.
Masa (Nova York, EUA)

O Masa prova de que o isolamento de luxo também pode existir no centro de uma das cidades mais movimentadas do mundo. Idealizado pelo chef Masa Takayama, o restaurante japonês que já ostentou três estrelas Michelin (hoje, conta com “apenas” duas) fica a poucos passos do Central Park.
Milhares de pessoas passam por ele diariamente, mas cruzar aquela porta está longe de ser simples. Com apenas 32 lugares, sem janelas e fotografias proibidas, o Masa funciona como um clube privado informal para os grandes executivos de Wall Street.
O menu omakase parte de US$ 495 por pessoa e pode chegar a US$ 1.200 em experiências especiais, sem considerar bebidas, taxas e impostos. Para fazer uma reserva, é preciso disputar uma das vagas que abrem uma única vez por mês e pagar o valor total do menu antecipadamente.
Mas os ultra-ricos não precisam se preocupar em disputar reservas. Para membros de cartões de crédito ultra-exclusivos, como o American Express Centurion, ou de redes de concierge de elite, esses serviços possuem cotas de mesas para acomodar clientes VIP.
Nem sempre basta ter dinheiro para desfrutar o luxo
No topo mais restrito do turismo de luxo, o dinheiro abre portas, mas nem sempre todas. Para ter quem insira seu nome na “lista ultra-VIP”, a elite global recorre aos serviços de concierges especializados, como a britânica Quintessentially ou a francesa John Paul.
Seus agentes passam o ano em contato com hotéis, maîtres de restaurantes e capitães de iates pelo mundo para garantir o acesso a cotas que o público comum sequer sabe que existem.
Para usufruir da facilidade, os milionários não pagam apenas pelas viagens, mas também por assinaturas anuais que partem de alguns milhares de euros e podem ultrapassar os US$ 30.000 em níveis mais dedicados.
Em um mundo em que quase tudo pode ser exibido, o maior símbolo de status está naquilo que não precisa aparecer. Para os ultra-ricos, viajar deixou de ser apenas conhecer lugares e passou a ser a arte de chegar onde quase ninguém entra.