Polícia Federal

Operação apura irregularidades em emendas Pix de ministro do TCU e parlamentares

03 jul 2026, 12:39 - atualizado em 03 jul 2026, 12:39
Jhonatan de Jesus, ex-deputado e ministro do TCU: emendas suspeitas (MyKe Sena/Câmara dos Deputados)

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta (3), a Operação Acesso Negado, para investigar supostas irregularidades no repasse de emendas parlamentares na modalidade transferência especial, mais conhecidas como emendas Pix, para dois municípios de Roraima: Iracema e São Luiz do Anauá.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As emendas somam cerca de R$ 90 milhões e foram apresentadas pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, quando ele era deputado federal, pelo deputado federal Antonio Nicoletti (PL-RR), pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), que também era deputado federal, e pelo ex-senador Telmário Mota. O ministro e políticos não são alvos da operação.

Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados em Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins. A investigação teve início após auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) por determinação do STF. Em setembro do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de repasses relativos a emendas auditadas que apresentaram indícios de crimes.

O Estadão busca as defesas para que se manifestem. O espaço está aberto.

Dinheiro que ‘sumiu’, casas não entregues e van da saúde para evento

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em 2025, a CGU identificou uma série de irregularidades envolvendo a execução de emendas Pix nos dois municípios de Roraima. Em Iracema (RR), o município movimentou emendas indicadas por Jhonatan de Jesus na mesma conta bancária de outras emendas, o que é proibido e dificulta o controle sobre o que foi gasto.

O Estadão foi até Iracema e identificou outros problemas. Em janeiro, a reportagem revelou que Jhonatan de Jesus indicou R$ 42 milhões em emendas para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfaltos esburacados.

A maior parte das emendas “sumiu” sem prestação de contas sobre o que foi feito com o dinheiro. O ministro e o pai, ex-senador e atual conselheiro do Tribunal de Contas de Roraima Mecias de Jesus, enviaram R$ 13 milhões para a construção de 300 casas populares, mas só uma foi erguida e ainda ficou abandonada.

Em outro caso investigado pela CGU em Iracema, a controladoria apontou evidências que uma van destinada ao transporte de profissionais de saúde estava sendo usada para fins particulares. A emenda foi do ex-senador Telmário Mota.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A equipe de auditoria encontrou uma placa de autorização para um evento de uma igreja evangélica no para-brisa do veículo. No porta-objetos, tinha uma lista de frequência para o “Curso Preparatório de Oleiros” do Instituto Assembleiano de Educação e Pesquisa. A van não estava com a plotagem institucional exigida para uso público.

Segundo a Polícia Federal, a operação envolve suspeitas de fraude em licitações e contratos administrativos, crimes contra a administração pública, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. A polícia apreendeu aproximadamente R$ 230 mil em espécie durante a operação.

Os dois municípios de Roraima estão entre das dez cidades brasileiras que receberam os maiores valores em emendas Pix entre 2020 e 2024. São Luiz do Anauá recebeu cerca de R$ 89,4 milhões, com planos de trabalho “sem objeto definido e sem metas claras”, conforme relatou a CGU.

No quesito eficiência na aquisição de bens e execução de serviços, o órgão identificou “obras paralisadas, com prazo de vigência exaurido.” O município tem 6.134 eleitores e é o menos extenso do Estado, segundo informações do TRE-RR.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em Iracema, que recebeu cerca de R$ 55,7 milhões, a aplicação dos recursos foi realizada fora das especificações técnicas, segundo consta na decisão de Dino que determinou a suspensão dos repasses.

A auditoria do CGU apontou ao STF que “em 9 dos 10 municípios auditados, constatou-se a ineficiência e inefetividade na aquisição de bens e na execução dos serviços, incluindo indicativo de superfaturamento, de desvio de recursos, de favorecimento de empresas e ausência de comprovação da aquisição de bens, gerando não conformidades que impactaram significativamente na entrega dos objetos originalmente acordados.”

Além disso, “dos 10 entes federativos auditados, 9 não atenderam às exigências de transparência e rastreabilidade estabelecidas nos dispositivos legais aplicáveis.” Na época, a PF também foi notificada dessas conclusões por determinação de Dino, para que pudesse abrir novos inquéritos ou complementar investigações em curso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar