Opinião: A guerra dos IPOs de inteligência artificial já começou
Salve, salve, meus entusiastas do mercado cripto! Hoje vamos falar um pouco dos IPOs que pipocaram no ramo de inteligência artificial.
Mas antes, um pouco de história.
Em 1602, um grupo de mercadores holandeses teve uma ideia maluca. Eles queriam navegar até a Indonésia para comprar noz-moscada e pimenta (que, naquela época, valiam mais que ouro).
Mas havia um problema: as viagens eram incrivelmente caras e perigosas.
Navios afundavam, piratas atacavam e, pior de tudo, havia escorbuto (uma doença causada pela falta de vitamina C).
(Curiosidade: Durante esse período, o escorbuto matou mais marinheiros do que tempestades e combates juntos. Quem diria que a vitamina C era literalmente mais difícil de encontrar do que um tesouro?)
Era muito arriscado para uma pessoa financiar sozinha, então eles inventaram algo novo: Oferta Pública Inicial (IPO).
A Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) tornou-se a primeira empresa da história a vender ações em papel ao público.
A carta constitutiva tinha duração de 21 anos, o que assustou os investidores, então os fundadores adicionaram uma brecha que mudou o capitalismo para sempre: Liquidez.
Eles permitiram que os investidores vendessem suas ações para outras pessoas em uma ponte em Amsterdã. Essa única inovação deu origem ao mercado de ações moderno. E foi um enorme sucesso.
Em seu auge, no século XVII, a VOC foi a empresa mais valiosa da história.
Seu valor máximo foi estimado em mais de US$ 7,9 trilhões em valores atuais.
A VOC tornou-se uma superpotência global com seu próprio exército, moeda e colônias. Era basicamente a Apple, a Amazon e os Fuzileiros Navais dos EUA reunidos em uma só empresa.
Avancemos 424 anos. Já não estamos mais à procura de noz-moscada.
O novo “tempero” é a inteligência. Os “navios” são centros de dados e os piratas? Bem, agora eles são apenas reguladores. Os recursos mudaram, mas a ambição permanece a mesma.
Estamos à beira de um novo império financeiro, e o mercado de IPOs está despertando para financiá-lo. O evento principal de 2026? Um confronto de pesos pesados entre os dois reis absolutos da IA.
De um lado do ringue temos a OpenAI.
O IPO bilionário da OpenAI
Segundo informações, a OpenAI planeja realizar seu IPO em 2026 com uma avaliação de US$ 1 trilhão, o que a tornaria uma das maiores estreias na bolsa da história.
Mas eles não estão tornando isso público apenas para fazer alarde.
Eles estão tornando o assunto público porque descobriram uma nova lei da física financeira:
Mais poder = Mais dinheiro
Analisando os últimos três anos, sua receita acompanhou sua capacidade computacional com uma precisão assustadora:
- 2023: 0,2 GW de capacidade computacional = US$ 2 bilhões em receita.
- 2024: 0,6 GW de capacidade computacional = US$ 6 bilhões em receita.
- 2025: 1,9 GW de capacidade computacional = receita de US$ 20 bilhões.
Fonte: OpenAI
Tanto a capacidade computacional quanto a receita estão crescendo 3 vezes ano após ano, comprovando que sua máquina transforma eletricidade em ouro de forma eficaz.
Para manter esse volante 3x girando, no entanto, a conta finalmente está chegando.
Mesmo com uma receita de US$ 20 bilhões, a diferença entre seus rendimentos e suas ambições é um abismo que os investidores privados não conseguem mais preencher.
É por isso que estão correndo para os mercados públicos para levantar imediatamente os estimados US$ 60 bilhões.
Mas eis o pequeno segredo sujo escondido em suas demonstrações financeiras:
Embora se vangloriem de receitas enormes, 73% delas (aproximadamente US$ 14,6 bilhões) provêm de consumidores que pagam US$ 20 por mês pelo ChatGPT Plus.
Mas, ao analisar os números, a receita média por usuário é de apenas US$ 25 por ano.
Por quê? Porque a versão gratuita é uma enorme fogueira que queima de US$ 2 a 3 bilhões por ano em créditos de computação.
Sam Altman basicamente admitiu isso: “Os ricos pagam para que os pobres possam usar de graça”.
Ou seja, o inevitável finalmente está acontecendo: anúncios.
A OpenAI está oficialmente integrando anúncios ao ChatGPT.
Se você estiver no plano gratuito, prepare-se para ter suas profundas conversas filosóficas interrompidas por um anúncio.
Além disso, a empresa planeja ficar com uma porcentagem de toda a propriedade intelectual que sua IA ajudar os clientes a inventar.
Pense nisso. Se você usar o modelo deles para descobrir um novo medicamento, inventar um novo material ou decifrar um código financeiro, eles não querem apenas a sua taxa de assinatura. Eles querem royalties pelo seu gênio.
Eles estão, na prática, tentando se tornar a Receita Federal dos Estados Unidos, no setor de inteligência.
Enquanto a OpenAI tenta descobrir como tributar suas ideias, os usuários simplesmente estão indo embora.
Além da OpenAI: Concorrência também avança na inteligência artificial
A participação de mercado da Gemini atingiu 22%, um aumento em relação aos 19,5% de apenas um mês atrás e aos 13,3% de três meses atrás.

Fonte: @RihardJarc
O índice Gemini subiu 2,5 pontos percentuais apenas nos últimos 30 dias, comprovando que o êxodo está se acelerando em vez de se estabilizar.
Os usuários estão percebendo que não precisam de um oráculo onisciente que exige uma parte dos lucros, especialmente quando concorrentes como a Gemini fazem o mesmo trabalho.
MAS, do outro lado da batalha temos outro nome: a Anthropic, apoiada por Amazon e Google.
A Anthropic foi fundada por Dario Amodei e uma equipe de dissidentes da OpenAI que construíram o Claude com base na “IA Constitucional”:
Uma estrutura de segurança rigorosa que impede que o modelo se descontrole.
Enquanto o ChatGPT tenta ser tudo para todos, o Claude foi desenvolvido para trabalho profundo.
Sua inovação, o Claude Code, é um agente autônomo capaz de programar sozinho por até 30 horas seguidas:
- Ele navega pelos sistemas de arquivos como um engenheiro sênior.
- Ele corrige erros e refatora bases de código complexas sem intervenção humana.
- É basicamente um engenheiro turbinado que custa uma fração do preço.
Esta é a parte em que o Anthropic realmente rouba o cinturão da OpenAI.
Segundo os dados mais recentes da Menlo Ventures, a Anthropic conquistou todo o mercado corporativo:
- Em 2023: a OpenAI era a líder incontestável, com 50% do mercado empresarial.
- Em 2025: a participação da OpenAI despencou para 27%. Já a da Anthropic (Orange) disparou para 40%.

Fonte: @thexcapitalist
Esse roubo de participação de mercado está se transformando diretamente em roubo de dinheiro.
Sua receita anualizada dobrou em apenas seis meses, atingindo US$ 9 bilhões em janeiro de 2026 (contra US$ 4 bilhões em julho de 2025).
Para se ter uma ideia: eles estão adicionando um bilhão de dólares em receita recorrente quase todos os meses.
E aqui está o golpe final: a Anthropic está a caminho de obter lucro muito mais rapidamente do que a OpenAI.
De acordo com as projeções:
- A Anthropic prevê atingir o ponto de equilíbrio até 2028.
- A OpenAI prevê prejuízos operacionais de US$ 74 bilhões nesse mesmo ano.
A Anthropic está atualmente finalizando uma nova rodada de financiamento que, segundo relatos, já recebeu mais subscrições do que o esperado.
Embora a meta inicial fosse de US$ 10 bilhões, com compromissos prévios da Microsoft e da Nvidia, o valor total arrecadado pode ultrapassar US$ 20 bilhões, avaliando a empresa em cerca de US$ 350 bilhões.
A OpenAI vende um sonho que custa US$ 74 bilhões por ano para manter, exigindo essencialmente uma conta corrente infinita para sobreviver.
A Anthropic está jogando um esporte completamente diferente.
Eles já conquistaram os clientes mais exigentes, os maiores contratos e o caminho mais eficiente para a lucratividade.
Enquanto a internet discute qual chatbot tem a melhor personalidade, o ideal é ficar de olho nas margens de lucro.
Forte abraço,
Marcello Calbo Cestari
Aviso obrigatório
Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.