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Ozempic e Mounjaro: Para BBA, canetas emagrecedoras devem “redesenhar” setores da Bolsa

06 jan 2026, 18:38 - atualizado em 06 jan 2026, 19:07
Ozempic novo nordisk eurofarma
Ozempic - Divulgação

As canetas emagrecedoras deixaram de ser um fenômeno de nicho e começam a redesenhar setores inteiros da economia brasileira. Segundo o Itaú BBA, os medicamentos da classe GLP-1 já mostram impactos relevantes no setor de saúde — com as farmácias como principais beneficiadas — e tendem a provocar efeitos colaterais também sobre o consumo no longo prazo.

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“Os medicamentos GLP-1 vêm remodelando silenciosamente parte do setor de saúde e, até recentemente, acreditamos que investidores (inclusive nós mesmos) subestimaram esse movimento”, afirma o banco em relatório divulgado nesta terça-feira (6).

De acordo com o time liderado por Rodrigo Gastim, a velocidade de adoção no Brasil já é considerada “impressionante” e deve se intensificar com o vencimento da patente da semaglutida, previsto para o primeiro semestre de 2026. O banco aponta que o país reúne condições únicas para a expansão do mercado, combinando elevada prevalência de obesidade e sobrepeso (cerca de 70% da população) com um forte componente cultural ligado à estética.

“Nossa análise posiciona o Brasil como o segundo maior mercado global de procedimentos estéticos e o primeiro quando ajustado pela população adulta”, destaca o Itaú BBA.

No cenário-base, o banco considera difícil que o mercado brasileiro de GLP-1 não alcance cerca de 15 milhões de usuários e R$ 50 bilhões em faturamento até 2030, ante um mercado atual estimado em R$ 10 bilhões.

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Farmácias na linha de frente e Raia Drogasil (RADL3) como maior vencedora

Com a expansão do mercado, as principais beneficiárias devem ser as grandes redes de farmácias. Segundo o Itaú BBA, os medicamentos GLP-1 podem representar cerca de 20% das receitas de Raia Drogasil (RADL3), Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3) em 2030, ante algo entre 8% e 9% atualmente.

Os modelos do banco incorporam a entrada da semaglutida genérica no segundo semestre de 2026, o que deve reduzir preços ao consumidor, mas elevar margens para o varejo farmacêutico.

Com custos ainda elevados — a estimativa para a versão genérica é de ao menos US$ 52 por mês —, escala, capilaridade e capacidade de negociação devem favorecer as grandes redes. Nesse contexto, a Raia Drogasil aparece como o principal destaque. No cenário otimista do BBA, a companhia pode registrar um ganho de até 12% no lucro por ação em 2027 impulsionado pelos GLP-1.

“Em nosso cenário-base, estimamos que os medicamentos GLP-1 representem cerca de 20% das receitas de Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel em 2030, contra algo entre 8% e 9% atualmente”, diz o banco.

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Indústria farmacêutica também ganha

O relatório ressalta que a perda de exclusividade da semaglutida não deve provocar uma guerra de preços imediata. A expectativa é que a primeira onda seja dominada por genéricos de marca (similares), o que tende a suavizar a erosão de preços.

O banco projeta uma queda de cerca de 30% no primeiro ano pós-patente, chegando a 50% apenas ao longo de cinco anos.

Além disso, a inovação segue ampliando o mercado. Moléculas mais recentes, como o Mounjaro (tirzepatida), já demonstram maior eficácia e melhor perfil de efeitos colaterais em relação à semaglutida, enquanto compostos em desenvolvimento, como a retatrutida, prometem reduzir a perda de massa magra. Formulações orais também devem ganhar espaço, aumentando conveniência e adesão ao tratamento.

Dentro do setor farmacêutico local, o Itaú BBA aponta a Hypera (HYPE3) como a empresa mais bem posicionada para capturar valor no pós-patente. Considerando um mercado de R$ 8,4 bilhões em genéricos de GLP-1 em 2027 e uma participação de 15%, o banco estima um potencial de alta de cerca de 10% em receita e lucro por ação da companhia nesse ano.

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Impactos no consumo

Do lado do consumo, por fim, o avanço dos GLP-1 tende a alterar padrões alimentares, mas com efeitos moderados no agregado no curto e médio prazo.

Estudos citados no relatório indicam que pacientes em tratamento podem reduzir a ingestão calórica diária em até 40%, afetando principalmente categorias indulgentes, como snacks, produtos de panificação doce, alimentos ricos em carboidratos e bebidas alcoólicas.

Mesmo em um cenário mais agressivo, com 5,5 milhões de usuários de GLP-1 no Brasil até 2027, o impacto estimado no lucro de empresas como Ambev (ABEV3), Camil (CAML3) e M. Dias Branco (MDIA3) seria de cerca de 2% de queda em 2027, segundo o banco.

Em contrapartida, o relatório aponta as proteínas como “vencedoras relativas”, já que pacientes são orientados a aumentar o consumo proteico para mitigar a perda de massa muscular. Ainda assim, o Itaú BBA evita fazer projeções financeiras específicas para esse segmento, destacando que os efeitos positivos tendem a se materializar apenas no longo prazo.

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Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja.
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