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Ozempic no Mercado Livre (MELI34): XP vê avanço estratégico no México; modelo virá para o Brasil?

02 jul 2026, 9:30 - atualizado em 02 jul 2026, 9:30
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(Foto: Divulgação)

O lançamento de uma loja oficial da Novo Nordisk no Mercado Livre (MELI;MELI34) do México é visto pela XP Investimentos como um movimento estratégico da gigante do e-commerce. O portfólio de semaglutida, como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, será oferecido diretamente aos consumidores, sob exigência de receita médica.

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A equipe de analistas liderada por Danniela Eiger avalia a classe de medicamentos GLP-1 (como Ozempic) como uma categoria de alto ticket e uso crônico, que se adequa à dinâmica de marketplace do Mercado Livre dado seu perfil de demanda recorrente, enquanto o fabricante dará suporte à economia do canal.

“A iniciativa sinaliza progresso contínuo na construção da vertical de saúde do Mercado Livre. A principal questão continua sendo a replicabilidade no Brasil, onde o arcabouço regulatório atual restringe materialmente tal modelo”, pondera a XP.

Sob a parceria, o Mercado Envios e os centros de distribuição do Mercado Livre darão suporte logístico, enquanto a entrega de última milha será realizada por operadores de transporte farmacêutico licenciados.

A XP destaca que loja da Nova Nordisk também está incluída no Programa de Proteção de Marcas do Meli, reforçando as salvaguardas contra produtos falsificados e desviados.

E o Brasil?

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Enquanto no México, sob a Ley General de Salud (COFEPRIS), a venda online de medicamentos com prescrição é permitida se o vendedor possuir licença sanitária e operar com um farmacêutico responsável que valide as receitas antes da entrega, a regulação brasileira ainda não permite esse tipo de operação.

Embora no México a lei não tenha sido explicitamente desenhado para marketplaces, os analistas da XP destacam que o arcabouço é suficientemente permissivo para permitir que fabricantes operem canais DTC (diretamente ao consumidor) por meio de logística licenciada, em uma zona cinzenta regulatória.

Em contraste, no Brasil a RDC 44/2009 limita as vendas online à extensão digital de uma farmácia licenciada (“.com.br”), restringindo explicitamente marketplaces de atuarem como vendedores.

“Dado que medicamentos GLP-1 são substâncias controladas, a semaglutida enfrenta uma camada regulatória adicional, enquanto fabricantes não podem se envolver em distribuição DTC, já que a comercialização de medicamentos permanece exclusiva de farmácias licenciadas”, dizem os analistas.

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Embora a Lei 15.354/2026 tenha permitido que farmácias terceirizem logística e entrega (por exemplo, via iFood), ela não altera a regulação central. Dessa maneira , o Mercado Livre atualmente opera uma única farmácia licenciada em SP por meio do MELI Farma, com um sortimento limitado focado em HPC/OTC (higiene pessoal e livres de prescrição).

Tendo esses aspectos em vista, a XP vê um impacto limitado para farmácias brasileiras.

“Como a regulação atual efetivamente exige que nem marketplaces nem fabricantes atuem como vendedores de medicamentos com prescrição, vemos impacto limitado no curto prazo”, dizem os analistas.

Ainda que o México ofereça uma prévia real da potencial evolução do mercado caso as regras brasileiras sejam flexibilizadas, a XP acredita que um eventual debate regulatório seria um processo muito longo, com forte oposição dos players farmacêuticos brasileiros.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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