Pão de Açúcar (PCAR3): Justiça de São Paulo homologa plano de recuperação extrajudicial; ações disparam
O GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, informou ao mercado que o Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial da companhia.
O plano havia sido apresentado em 5 de maio de 2026 e, segundo a empresa, abrange créditos quirografários não relacionados a operações correntes de fornecimento de produtos, mercadorias, prestação de serviços ou aluguéis, chamados no comunicado de “Créditos Sujeitos”. O montante total é de R$ 4,568 bilhões.
De acordo com o fato relevante divulgado na tarde desta quarta-feira (7), a companhia obteve adesão de credores titulares de 57,49% dos Créditos Sujeitos, percentual acima da maioria exigida pela Lei de Recuperação Judicial e Falências.
Com a homologação, esses créditos passam a ser considerados novados e serão pagos conforme uma das três opções escolhidas pelos credores, nos termos do plano aprovado judicialmente. Na prática, a medida formaliza a reestruturação do passivo quirografário não corrente da empresa.
Na Bolsa, as ações da companhia dispararam. Por volta de 12h50 (horário de Brasília), PCAR3 saltava 10,68%, cotada a R$ 3,73.
O GPA afirmou que a operação de reestruturação, incluindo a emissão de novas debêntures e a captação de novos recursos, está alinhada ao redimensionamento da estrutura de capital e deve contribuir para melhorar o serviço da dívida e a liquidez de curto prazo da companhia.
O documento, porém, não detalha no texto principal os efeitos financeiros individuais.
A empresa também informou que dará sequência aos atos necessários para implementar o plano, incluindo a celebração dos instrumentos ligados aos novos recursos, no valor de R$ 200 milhões, e aos créditos sujeitos.
Segundo o comunicado, as operações seguem normais e a companhia está em dia com as obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros que não fazem parte da recuperação extrajudicial.
Recuperação do Pão de Açúcar
Em março deste ano, o GPA entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas para renegociação.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores.
A ideia não é levar à Justiça a recuperação, mas chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores. Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos.
O mercado já vinha monitorando uma pressão financeira relacionada a vencimentos de curto prazo. Antes do pedido, o GPA chegou a anunciar a contratação de consultores para auxiliar na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.