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Parasita ameaça rebanho já escasso dos EUA, mas pode abrir caminho para importações de gado do México, vê BTG

05 jun 2026, 17:35 - atualizado em 05 jun 2026, 17:35
boi gordo abates
(iStock.com/alffoto)

O avanço da mosca-da-bicheira-do-novo-mundo (New World Screwworm – NWS) nos Estados Unidos representa uma nova ameaça para um mercado de gado que já enfrenta oferta restrita e margens pressionadas, avalia o BTG Pactual.

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Segundo os analistas do banco, a confirmação da presença do parasita a cerca de 40 quilômetros da fronteira do Texas — além de um caso suspeito reportado dentro do estado — pode agravar ainda mais a escassez de bovinos para abate no país.

Após a notícia, as ações da JBS e da Tyson Foods passaram a operar sob pressão. Na visão do banco, o cenário é negativo para ambas as companhias, já que uma eventual disseminação da doença pode reduzir a disponibilidade de animais, elevar os preços do gado e pressionar ainda mais as margens de um setor que já atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história.

O Texas concentra o maior rebanho bovino dos Estados Unidos e respondeu por 17% do abate nacional nos últimos 12 meses. Tanto a JBS quanto a Tyson possuem unidades de grande porte no estado, localizadas a cerca de 500 quilômetros da fronteira mexicana.

Segundo o BTG, embora essa distância reduza o risco imediato de contaminação, ela não elimina os efeitos indiretos de uma oferta menor de gado na região.

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No caso da Tyson, a preocupação é ainda maior porque a companhia já reduziu a atividade de sua planta no Texas para apenas um turno no início deste ano, diz o banco. Mesmo operando abaixo da capacidade total, a unidade ainda representa cerca de 15% da capacidade de abate da empresa. A situação é semelhante para a JBS, cuja planta de Cactus, no Texas, responde por aproximadamente 15% de sua capacidade de abate nos Estados Unidos.

Já a National Beef, controlada pela MBRF, deve sentir impactos limitados, uma vez que não possui operações no Texas, segundo o BTG. Por outro lado, a Pilgrim’s Pride pode ser beneficiada indiretamente, já que uma eventual alta dos preços da carne bovina tende a aumentar a competitividade do frango frente à proteína vermelha, ainda conforme o banco.

Os analistas destacam que a NWS não representa risco para a segurança alimentar, pois não contamina a carne. O principal problema está na disponibilidade dos animais. O parasita deposita larvas em feridas abertas dos bovinos e, quando não tratado, pode levar os animais à morte entre sete e 14 dias. Além disso, os primeiros sinais da infestação podem passar despercebidos durante os primeiros dias, dificultando o controle da doença.

Embora existam tratamentos disponíveis, eles exigem isolamento individual dos animais e remoção manual das larvas. A única estratégia considerada comprovadamente eficaz para erradicação da doença é a Técnica do Inseto Estéril (Sterile Insect Technique), processo que levou nove anos para eliminar a praga dos Estados Unidos na década de 1960.

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O ‘fator positivo’

Apesar dos riscos, o BTG vê um possível fator positivo no episódio. Caso a presença da doença seja confirmada em território americano, o argumento utilizado para manter suspensas as importações de gado mexicano perde força. Como os animais importados passam por inspeções na fronteira, a continuidade das restrições poderia ser questionada, diz o banco.

Uma eventual reabertura da fronteira com o México poderia adicionar cerca de 1,5 milhão de cabeças de gado ao mercado americano, volume que, segundo o banco, seria mais do que suficiente para compensar os efeitos de uma infestação da NWS no Texas. Esse cenário ajuda a explicar a queda recente dos preços do gado nos Estados Unidos após a divulgação da notícia.

Ainda assim, o banco ressalta que a medida não resolveria o problema estrutural enfrentado pelos frigoríficos. As margens do setor seguem próximas das mínimas históricas e a retenção de novilhas — etapa importante para a reconstrução do rebanho — continua ocorrendo em ritmo mais lento do que o esperado. Com isso, o ambiente de rentabilidade pressionada deve persistir por mais alguns anos.

Diante desse cenário, o BTG continua considerando o setor de proteína bovina nos Estados Unidos pouco atrativo do ponto de vista de alocação de capital.

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A JBS segue como a única recomendação de compra do banco, principalmente por apresentar uma avaliação mais atrativa em relação aos pares. Ainda assim, os analistas ponderam que a empresa não se destaca como uma forte tese de geração de alfa, devido à pressão persistente sobre as margens de seus principais negócios.

O banco mantém recomendação neutra para MBRF e Pilgrim’s Pride e segue com recomendação de venda para Tyson Foods.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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