Internacional

Páscoa pelo mundo: como cristãos, judeus e outras culturas celebram a data

03 abr 2026, 9:13 - atualizado em 02 abr 2026, 14:18
Pysanky são ovos de galinha cuidadosamente pintados para a Páscoa. (Imagem: Ministério da Cultura da Polônia)

Muito além do coelhinho e dos ovos de chocolate, a Páscoa reúne tradições que atravessam culturas ao redor do mundo. Dependendo da religião e do país, a data ganha significados e rituais próprios.

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Para os cristãos, o feriado celebra a ressurreição de Jesus Cristo, simbolizando a passagem da morte para a vida. No judaísmo, a comemoração lembra a libertação do povo hebreu e a jornada rumo à liberdade.

Muito antes dessas interpretações religiosas, povos pagãos já marcavam esse período do ano com celebrações ligadas ao início da primavera no hemisfério norte, associando a data a ideias de fertilidade, renovação e renascimento.

Confira, a seguir, uma volta ao mundo por algumas das tradições mais interessantes do feriado.

A Páscoa cristã ocidental em diferentes tradições

A celebração mais comum no Brasil segue a tradição cristã ocidental, que marca a ressurreição de Jesus Cristo no Domingo de Páscoa. Em diferentes países, a data também ganha expressões próprias e tradições locais.

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No Vaticano, as celebrações incluem a tradicional Via Sacra no Coliseu e a bênção Urbi et Orbi, concedida pelo Papa na Praça de São Pedro. Na Itália, Florença celebra com a tradicional Scoppio del Carro, espetáculo pirotécnico que incendeia um carro de 9 metros de altura, simbolizando prosperidade.

Na Espanha, a Semana Santa mobiliza cidades inteiras com procissões com imagens religiosas. Já na França, uma antiga tradição infantil conta que os sinos das igrejas “voam” para Roma na Sexta-feira Santa e retornam no domingo trazendo ovos de chocolate para as crianças.

As refeições de Páscoa também mudam de país para país. No Brasil e em Portugal, o bacalhau virou tradição da Sexta-feira Santa por causa do antigo jejum de carne imposto pela Igreja Católica.

Em outras partes do mundo cristão, a data ganha pratos típicos, como a torta pasqualina italiana — torta salgada de espinafre, ricota e ovos —, os hot cross buns britânicos, pãezinhos marcados com uma cruz que remetem à crucificação de Cristo, e o gigot d’agneau pascal, pernil de cordeiro tradicional da França.

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Pascha: a Páscoa Ortodoxa que celebra a ‘festa das festas’

Em países de tradição ortodoxa — como Grécia, Romênia, Rússia e Ucrânia — a Páscoa é conhecida como Pascha e é considerada o momento mais importante do calendário.

Não por acaso, é chamada de “festa das festas”, expressão usada pelas igrejas ortodoxas para indicar que a ressurreição de Cristo é o evento central da fé cristã e o ponto culminante de todas as outras celebrações litúrgicas do ano.

Entre os rituais mais conhecidos está a troca e quebra de ovos tingidos de vermelho, prática comum na Grécia que simboliza o sangue de Cristo e a promessa de vida nova. No país, outro costume chama atenção: na ilha de Corfu, moradores arremessam potes de barro pelas janelas, tradição que simboliza renovação e prosperidade.

Na Ucrânia, se destaca a arte das pysanky, ovos de galinha cuidadosamente decorados com padrões geométricos que carregam desejos de proteção, fertilidade e prosperidade.

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A gastronomia ortodoxa também marca o fim de um longo período de jejum, que pode durar até 55 dias.

Na Grécia, uma das receitas tradicionais é o tsoureki, pão doce trançado decorado com ovos cozidos tingidos de vermelho. Já na Rússia e na Ucrânia é comum a paska, sobremesa de queijo e frutas secas em formato de pirâmide, simbolizando o túmulo de Cristo.

Pessach celebra a libertação do povo hebreu

No judaísmo, a celebração da Páscoa é ainda mais antiga que o cristianismo. A data é conhecida como Pessach, palavra hebraica que significa literalmente “passagem”.

Ela relembra o Êxodo, a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito e a travessia do Mar Vermelho rumo à liberdade.

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A celebração é marcada pelo Sêder, um jantar cerimonial em que famílias leem a Hagadá, texto que narra a história do Êxodo. Durante a refeição, cada alimento tem um significado simbólico:

O matzá, pão sem fermento, lembra a pressa com que os hebreus deixaram o Egito, sem tempo para que a massa crescesse.

O maror, preparado com ervas amargas como a raiz-forte, simboliza o sofrimento vivido durante a escravidão.

Já o charoset, uma mistura de frutas, nozes e vinho, representa a argamassa usada pelos hebreus para construir os monumentos do Egito.

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Antes da festa, famílias judias também removem de suas casas todo o chametz, alimentos fermentados, como forma de relembrar esse momento histórico.

Mais do que uma refeição simbólica, o Pessach é um momento de identidade para as famílias judaicas que revisitam a história e reforçam a memória coletiva da comunidade.

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Detalhes pitorescos sobre a Páscoa ao redor do mundo

Além das tradições religiosas, alguns países desenvolveram costumes bastante curiosos para celebrar o feriado.

Na Suécia e na Finlândia, crianças se vestem de “bruxas de Páscoa” e batem de porta em porta trocando desenhos por doces, tradição inspirada em antigas crenças de proteção contra maus espíritos.

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Na Noruega, a Páscoa é praticamente sinônimo de mistério. O país transformou o feriado em um fenômeno cultural chamado påskekrim, quando famílias passam os dias lendo livros ou assistindo séries policiais e de suspense.

Em partes do Leste Europeu, rituais antigos de fertilidade ainda sobrevivem. Na República Tcheca e na Eslováquia, mulheres são simbolicamente tocadas com ramos de salgueiro trançados, enquanto na Hungria é comum perfumá-las com fragrâncias florais.

Embora os costumes mudem de país para país, a essência da Páscoa permanece a mesma: celebrar transformação, renovação e esperança.

Seja em forma de procissões religiosas, refeições simbólicas ou brincadeiras comunitárias, o feriado atravessa culturas há séculos e lembra que, de diferentes maneiras, a ideia de “passagem” continua viva ao redor do mundo.

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