Payroll de fevereiro traz sinais mistos e é difícil de interpretar, diz dirigente do Fed
A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de São Francisco, Mary Daly, afirmou em entrevista à CNBC nesta sexta-feira (6) que os detalhes do relatório de empregos dos Estados Unidos (payroll) de fevereiro tornam o documento difícil de interpretar.
Segundo ela, é preciso cautela, já que números de um único mês não devem alterar completamente as perspectivas. Para Daly, no entanto, ambos os mandatos do Fed — pleno emprego e estabilidade de preços — estão atualmente em risco.
“É preciso fazer uma média do payroll de janeiro e de fevereiro e seguir acompanhando. Os dados não são uma leitura clara do que está acontecendo, mas também não estão errados”, afirmou. Ela destacou ainda que o atual estado do mercado de trabalho, marcado por “baixas contratações e baixas demissões”, é vulnerável a qualquer mudança.
Sobre o emprego, Daly disse que o crescimento salarial observado não é “excepcional” nem motivo para euforia e demonstrou preocupação de que o mercado de trabalho esteja mais fraco do que o esperado.
Na ponta dos preços, ressaltou que a inflação segue acima da meta e que, por isso, é necessário “calcular o equilíbrio de riscos”.
A dirigente do Fed de São Francisco também afirmou não ver evidências de que a economia esteja superaquecida, mas demonstrou algum otimismo de que a inteligência artificial (IA) poderá impulsionar a produtividade — ainda que sejam necessárias mais evidências.
Diante desse cenário, Daly disse que não está “em posição” de defender uma alta de juros pelo Fed, mas indicou que outra alternativa é manter as taxas no nível atual.
Questionada se a alta do preço do petróleo poderia impedir o banco central americano de cortar juros, ela afirmou que isso dependerá da duração da crise no Oriente Médio. “O choque do preço do petróleo é real, e os consumidores sentirão isso”, acrescentou.