Payroll fraco muda apostas do mercado e empurra alta de juros do Fed para outubro
O mercado reduziu as apostas de uma alta de juros pelo Federal Reserve em setembro após o payroll de julho dos Estados Unidos mostrar uma desaceleração mais forte do mercado de trabalho americano.
O país criou apenas 23 mil vagas no mês, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), bem abaixo das 80 mil esperadas.
O dado também veio acompanhado de revisões expressivas para baixo nos números dos meses anteriores. A criação de empregos de maio foi revisada de 129 mil para 63 mil vagas, enquanto a de junho passou de 57 mil para apenas 20 mil.
Com isso, o total de empregos criados nos dois meses ficou 103 mil abaixo do informado anteriormente, reforçando a percepção de perda de força do mercado de trabalho americano.
A reação apareceu rapidamente nas apostas para a política monetária. Antes da divulgação do payroll, o mercado precificava 55% de chance de uma alta de juros na reunião de setembro do Fed, contra 45% de manutenção. Após os dados, o cenário se inverteu: a probabilidade de manutenção passou para 57,9%, enquanto a de uma elevação caiu para 42,1%, segundo o FedWatch, do CME Group.
Com a mudança nas expectativas para setembro, outubro passou a ser a principal janela para uma eventual alta dos juros americanos. Ainda assim, a convicção do mercado também diminuiu após o payroll.
Antes da divulgação dos dados, a probabilidade de uma alta em outubro era de 69%, contra 31% de manutenção. Agora, a chance de elevação caiu para 56,2%, enquanto a de manutenção subiu para 43,8%.
O mercado de juros futuros agora também precifica apenas 43,9% de chance de um aperto monetário pelo Fed em setembro, em comparação com 57% antes do relatório, de acordo com dados da LSEG.
O movimento mostra que o mercado não abandonou a possibilidade de uma alta dos juros, mas passou a enxergar menos urgência para que o Fed retome o aperto monetário. A fraqueza na criação de vagas aumenta a pressão para que o banco central considere também os riscos sobre a atividade e o emprego antes de elevar novamente a taxa.
A mudança nas apostas ocorre apenas uma semana depois de o Federal Reserve manter os juros americanos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Na decisão, o banco central preservou uma postura cautelosa e reforçou que continuará perseguindo sua meta de inflação de 2%.
O resultado aumenta a distância entre o discurso mais duro do Federal Reserve e o que o mercado considera provável para os próximos meses. Embora o banco central tenha reiterado seu compromisso com a inflação de 2%, os investidores vêm reduzindo a expectativa de uma alta iminente dos juros tanto diante de uma inflação mais controlada, tanto em relação a uma descrença com o discurso de Kevin Warsh.