Política

Peneira dos partidos políticos: como a cláusula de barreira deve impactar as legendas nas eleições deste ano

18 fev 2026, 10:55 - atualizado em 18 fev 2026, 10:55
Brasil, Política, Congresso Nacional
(Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino)

O sistema partidário brasileiro entra em 2026 sob amparo de um processo de consolidação forçada. Com o início da terceira etapa da Cláusula de Barreira, o cenário deixa de ser apenas de disputa ideológica para se tornar um teste severo de eficiência operacional e escala.

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Para muitas siglas, o pleito de outubro não definirá apenas cadeiras no Legislativo, mas a própria força financeira e a influência nas discussões políticas.

O novo “corte” de eficiência

A Emenda Constitucional 97/2017 estabeleceu uma escada de produtividade eleitoral que agora atinge um novo degrau. O objetivo é reduzir a fragmentação partidária, que historicamente eleva o “custo de governabilidade” no Brasil.

Para garantir o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de antena (ativos essenciais para a manutenção de qualquer estrutura partidária nacional), as legendas ou federações deverão atingir um dos dois critérios abaixo:

  • Votos: Obter, no mínimo, 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove unidades da federação.
  • Performance legislativa: Eleger uma bancada de pelo menos 13 deputados federais, também espalhados por nove estados.

A lógica da consolidação

O aumento da “régua” coloca sob pressão direta partidos de médio porte que apresentaram baixa performance em 2022.

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Na última janela, siglas como PSB, PSOL e Novo não atingiram, isoladamente, o teto de parlamentares exigido para o ciclo atual. A sobrevivência desses partidos tem sido garantida por meio de Federações Partidárias — um modelo de “joint venture” política com duração mínima de quatro anos —, que permitem somar votos para ultrapassar a barreira exigida.

De acordo com o cientista político Sérgio Praça, o movimento tende a gerar uma concentração de capital político.

“Os partidos grandes e médios-grandes estão em uma zona de conforto, enquanto os pequenos enfrentam um cenário de asfixia. A concentração do Fundo Partidário nas mãos de poucas siglas gera um ciclo de feedback: mais recursos garantem maior projeção, o que atrai mais quadros competitivos, esvaziando as legendas menores”, afirma Praça.

Risco de “default” político

As siglas que falharem em cruzar a barreira em 2026 enfrentarão um “default” de visibilidade. Embora não sejam extintas juridicamente, a perda do financiamento público e do tempo de TV retira o poder de barganha dessas organizações.

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Sem capital e sem vitrine, a tendência é que esses partidos se tornem irrelevantes no processo de coalizão, sendo eventualmente absorvidos por “players” maiores em processos de fusão ou incorporação.

* Com supervisão de Maria Carolina Abe

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Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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