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Pesquisas na Amazon, Microsoft e Google sugerem que os trabalhadores estão cada vez menos satisfeitos com seus salários

Gabriela Mackert Occhipinti
28/06/2022 - 15:57
Tecnologia Meta Facebook
Trabalhadores da Meta expressaram menos confiança na liderança no segundo semestre de 2021 do que no primeiro (Imagem: Shutterstock/askarim)

Entrevistas com trabalhadores e pesquisas internas das empresas, realizadas em 2021 sugerem que os funcionários ficaram frustrados com a remuneração e a liderança nas principais big techs do mundo.

Empresas como Amazon (AMZN), Google (GOOG), Microsoft (MSFT) e Facebook (FB), que mudou o nome para Meta Platforms, são as principais como revela publicação do Business Insider.

Segundo especialistas, à medida que as ações de tecnologia entram em correção e o mercado de trabalho força os empregadores a serem mais competitivos, esse sentimento provavelmente não deve melhorar tão cedo.

Ações em alta, mão de obra em baixa

A pandemia do coronavírus provou ser muito lucrativa para muitos trabalhadores de tecnologia.

À medida que milhões de pessoas se ajustavam a trabalhar e ficar em casa mais do que nunca, a demanda pelos serviços oferecidos pelas empresas de tecnologia disparou, o que ressaltou, por exemplo, a escassez da mão de obra no setor.

As empresas queriam crescer e precisavam de talento para isso, criando um dos mercados de trabalho mais aquecidos em anos e um mercado de ações em alta para acompanhá-lo.

Inflação e salários em alta

Rob James, diretor da Pearl Meyer que presta consultoria a empresas de tecnologia em questões de remuneração, disse ao Insider que nesse período também viu uma “compressão” em que novos contratados recebem salários mais altos do que contratações pré-pandemia, deixando alguns funcionários se sentindo deixados para trás.

Outro ponto que diferencia as remunerações é que os aumentos baseados no desempenho não acompanharam a inflação e os salários em alta, o que pode criar conflitos entre os funcionários, ressalta James.

“Esta correção do mercado está pedindo aos funcionários que reduzam suas expectativas”, disse o professor associado da Columbia Business School ao Insider, Dan Wang.

“Eles estão entrando em um período de precariedade econômica”, comentou sobre o cenário das empresas norte-americanas. Wang ressaltou que agora não é um bom momento para mudar de emprego, mas que os funcionários podem continuar insatisfeitos.

Apenas o começo

Como muitas empresas procuram conter os custos em meio ao aumento da inflação e uma possível desaceleração econômica, uma recente onda de congelamentos e desacelerações nas contratações pode ser apenas o começo.

O Facebook, agora Meta, anunciou no mês passado uma pausa em suas contratações e redução nos planos para adquirir novos talentos em toda a empresa.

Neste mês, a fabricante de veículos elétricos, Tesla (TSLA) cancelou três eventos online de recrutamento de funcionários na China que estavam programados. A decisão ocorreu após comentários do CEO da companhia, Elon Musk, sobre cortes de empregos na montadora.

Não são apenas as contratações. As condições econômicas atuais podem significar salários reduzidos e concessões de ações e benefícios desaparecendo.

Muitas das pesquisas internas relatadas pelo Insider, que foram realizadas no início deste ano ou no final do ano passado, trazem esse panorama para as empresas dos EUA, resta ver quão severamente os funcionários são afetados.

Aumento de salário na Amazon: Novo golpe?

Em uma pesquisa interna da Amazon de 2021, 44,6% dos funcionários que indicaram que estavam procurando um novo emprego citaram o salário base como motivo, acima de cerca de um terço entre 2018 e 2020, embora a porcentagem geral de entrevistados que disseram estar procurando outro trabalho não estava clara.

Em resposta, a empresa anunciou no início deste ano que mais do que dobraria seu limite de pagamento base, de US$ 160.000 para US$ 350.000.

Mas alguns funcionários disseram que a mudança parecia mais um golpe de relações públicas do que um compromisso real de aumentar os salários, já que o teto aumentava apenas o salário máximo potencial – não reflete em aumentos significativos para muitos funcionários.

Enquanto isso, os preços das ações da Amazon caíram mais de 40% em relação à máxima histórica no verão norte-americano passado, prejudicando o valor dos pacotes de remuneração.

“Não vale mais a pena ficar aqui”, disse um funcionário atual da Amazon ao Insider.

A situação no Google e Microsoft

Quando perguntados em uma pesquisa interna do Google realizada em janeiro se sua remuneração total é competitiva em comparação com empregos semelhantes em outras empresas, apenas 53% dos colaboradores responderam favoravelmente, abaixo dos 63% do ano passado.

Enquanto isso, 27% responderam desfavoravelmente, acima dos 18% do ano passado.

Em uma pesquisa interna da Microsoft, realizada no início deste ano, 66% dos funcionários responderam favoravelmente a uma pergunta sobre se conseguiram um “bom negócio na Microsoft”, abaixo dos 73% do ano passado.

A big tech revisou sua pesquisa de funcionários este ano, portanto, os resultados podem não ser comparáveis, mas a empresa parecia levar o declínio a sério, prometendo aumentar os salários a partir de setembro por meio de aumentos salariais baseados em desempenho e aumentando os prêmios de ações em pelo menos 25%. Logo depois, a Microsoft reduziu as metas de contratação em toda a empresa.

Um funcionário disse ao Insider que dar aos colaboradores mais ações em vez de dinheiro era apenas uma maneira de “nos manter ainda mais acorrentados à Microsoft” enquanto suas opções eram adquiridas.

Não é só o salário: A insatisfação com a liderança

Na Meta, os trabalhadores criticam as ações dos líderes da empresa e o declínio favorável de seu perfil público devido a anos de escândalos.

A publicação do Insider relembra alguns: manipulação política de suas plataformas, coleta imprópria de dados, depoimentos combativos no Congresso, multas recordes da Federal Trade Commission, acusações de que facilitou um genocídio e a informação de um denunciante sobre o quanto a empresa sabia sobre seu efeito negativo sobre crianças e adolescentes.

Em meio a tudo isso, uma pesquisa interna do ano passado sugeriu que os funcionários estavam perdendo a confiança na liderança.

Cerca de metade dos funcionários respondeu favoravelmente quando perguntado sobre líderes no Facebook, uma queda de 7 pontos percentuais em relação a uma pesquisa realizada no primeiro semestre do ano.

E 47% indicaram que pretendiam permanecer na empresa. O Facebook tem lutado ultimamente para recrutar e reter trabalhadores.

Metaverso X Realidade

Não tem muito tempo que o Facebook revelou sua marca corporativa para Meta e novo foco na construção do metaverso, uma realidade virtual imersiva e interativa inserida com dispositivos de hardware; a divisão que supervisiona seu desenvolvimento está perdendo muitos bilhões de dólares para a empresa.

Também implementou um amplo congelamento de contratações em maio – tornando-se a primeira empresa de big tech a fazê-lo – levando a preocupações de que demissões possam estar chegando.

Microsoft, Twitter (TWTR), Salesforce (CRM) e Uber (UBER) são outras que congelaram ou desaceleraram as contratações.

“Acho que muitas pessoas estão preocupadas com a duplicação do metaverso”, disse um funcionário ao Insider. “Especialmente porque parece ter confundido muitos projetos.”

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Última atualização por Tamires Vitorio - 28/06/2022 - 15:57

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