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Petrobras (PETR3;PETR4) responde por mais da metade do lucro das 10 empresas mais lucrativas da B3 no 2T26

28 ago 2026, 7:30
Petrobras alta PETR3 PETR4 Petrobras (PETR4) morning mercado ibovespa wall street
(Montagem: Money Times)

O segundo trimestre de 2026 produziu um retrato bastante claro da bolsa brasileira: a rentabilidade continua concentrada em poucos grupos econômicos, mas a liderança mudou de intensidade. A Petrobras (PETR3;PETR4) voltou a ocupar um patamar de protagonismo raramente visto nos últimos anos, enquanto os bancos preservaram sua força estrutural, mesmo perdendo participação relativa no lucro consolidado.

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Levantamento da Elos Ayta com as empresas listadas na B3 mostra que as dez companhias mais lucrativas somaram R$ 101,2 bilhões de lucro líquido entre abril e junho, um crescimento de 38,2% em relação ao mesmo período de 2025. O dado impressiona, mas esconde uma concentração ainda maior: a Petrobras, sozinha, respondeu por R$ 52,4 bilhões, o equivalente a 51,8% de todo o lucro gerado pelas dez maiores empresas da bolsa.

No segundo trimestre do ano passado, essa participação era de 36,4%. Em apenas doze meses, a estatal ampliou sua influência em mais de 15 pontos percentuais sobre o resultado agregado das empresas líderes.

A conclusão mais relevante do estudo surge quando a Petrobras é retirada da conta. Nesse cenário, o lucro conjunto das outras nove empresas cresce apenas 4,7%, passando de R$ 46,6 bilhões para R$ 48,8 bilhões. Em outras palavras, quase R$ 9 em cada R$ 10 do crescimento registrado entre as maiores empresas vieram da Petrobras.

O trimestre tem uma protagonista

O lucro da Petrobras praticamente dobrou em relação ao segundo trimestre de 2025. O salto de 96,8% elevou o resultado da companhia para um nível que, sozinho, supera a soma dos lucros de Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Vale (VALE3), Itaúsa (ITSA4), BTG Pactual (BPAC11), Ambev (ABEV3), Braskem (BRKM5), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11).

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Esse tipo de concentração não é comum nem mesmo entre grandes empresas de commodities. Em mercados acionários maduros, estudos sobre concentração de resultados mostram que o crescimento agregado costuma depender de um grupo restrito de companhias líderes, especialmente em setores ligados a energia, tecnologia ou recursos naturais. No caso brasileiro, a Petrobras assumiu esse papel de forma contundente neste trimestre.

O efeito aparece de maneira ainda mais evidente na composição do lucro total.

Mais do que liderar o ranking, a companhia passou a representar uma parcela maior do que todas as outras nove empresas reunidas.

Bancos continuam dominando o ranking, mas perderam espaço

Se a Petrobras domina pelo tamanho do lucro, os bancos seguem dominando pela presença.

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Das dez empresas mais lucrativas da B3, seis pertencem ao setor financeiro. O grupo reúne Itaú Unibanco, Bradesco, Itaúsa, BTG Pactual, Banco do Brasil e Santander Brasil.

Juntas, essas instituições acumularam R$ 35,2 bilhões de lucro no trimestre, avanço de 9,9% sobre o mesmo período de 2025.

O desempenho é consistente e reforça uma característica histórica do mercado brasileiro: o sistema financeiro continua sendo o segmento com maior capacidade recorrente de geração de resultados, sustentado por margens elevadas, receitas de serviços e uma operação menos sujeita às oscilações das commodities.

Mas há uma mudança importante de composição. Apesar do crescimento dos lucros, a participação do setor financeiro caiu de 43,8% para 34,8% do total gerado pelas dez empresas mais lucrativas.

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Isso significa que o crescimento das empresas não financeiras foi muito mais intenso.

Fora dos bancos, o petróleo puxou quase tudo

As quatro empresas não financeiras presentes entre as dez maiores são Petrobras, Vale, Ambev e Braskem.

O conjunto desse grupo elevou seus lucros em 60,3% na comparação anual, alcançando R$ 66 bilhões.

O resultado, entretanto, também é bastante desigual.

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A Vale registrou uma queda expressiva de 43,3% no lucro, reduzindo seu resultado para R$ 6,8 bilhões. Em sentido oposto, a Braskem saiu de um prejuízo de R$ 267 milhões para um lucro de R$ 3,3 bilhões, enquanto a Ambev ampliou seu resultado em 24,6%.

Ainda assim, nenhuma dessas variações teve peso suficiente para rivalizar com o impacto provocado pela Petrobras.

O retrato da concentração

Um dos indicadores mais interessantes do levantamento é a mudança na distribuição dos lucros entre as maiores empresas.

No segundo trimestre de 2025, as nove empresas que não eram a Petrobras representavam 63,6% do lucro agregado das dez líderes. Um ano depois, essa fatia caiu para 48,2%.

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Na prática, isso significa que o crescimento da rentabilidade ficou muito menos disseminado entre as grandes companhias da bolsa.

Esse movimento ajuda a explicar por que a percepção sobre a temporada de balanços pode ser ambígua. No agregado, os resultados foram excelentes. Mas, quando se elimina o efeito da Petrobras, o crescimento passa a ser bastante moderado.

O que esse ranking revela sobre a B3

O levantamento da Elos Ayta reforça três características estruturais do mercado acionário brasileiro.

A primeira é a elevada concentração dos lucros. Poucas empresas continuam respondendo por uma parcela desproporcional da geração de resultados da bolsa, fenômeno frequentemente observado em mercados com forte presença de companhias de recursos naturais e instituições financeiras.

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A segunda é a resiliência do setor bancário. Mesmo perdendo participação relativa, os bancos continuam ocupando seis das dez primeiras posições do ranking e entregaram crescimento próximo de 10% em um ambiente ainda marcado por juros elevados.

A terceira é o retorno da Petrobras ao centro da geração de valor corporativo no Brasil. O fato de uma única empresa produzir mais da metade do lucro das dez maiores companhias da B3 mostra que o desempenho agregado do mercado brasileiro, neste trimestre, dependeu muito mais do petróleo do que da economia doméstica.

Para investidores, a leitura é importante. Os números mostram uma bolsa que continua rentável, mas cuja expansão dos resultados está cada vez mais concentrada em poucos protagonistas. E, no segundo trimestre de 2026, nenhum deles teve um peso comparável ao da Petrobras.

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CEO da Elos Ayta Consultoria e especialista em dados financeiros de mercado
Einar Rivero é CEO da Elos Ayta Consultoria e especialista em dados financeiros de mercado. Formado em Engenharia, tornou-se referência para o mercado financeiro por trazer levantamentos e insights inéditos a partir do cruzamento de dados econômicos. Durante 25 anos, atuou como líder e gerente de relacionamento institucional de plataformas de informação financeira, como TradeMap e Economatica.
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Einar Rivero é CEO da Elos Ayta Consultoria e especialista em dados financeiros de mercado. Formado em Engenharia, tornou-se referência para o mercado financeiro por trazer levantamentos e insights inéditos a partir do cruzamento de dados econômicos. Durante 25 anos, atuou como líder e gerente de relacionamento institucional de plataformas de informação financeira, como TradeMap e Economatica.
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