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Petrobras (PETR4): Ações sobem com alívio por dividendos e melhor capital de giro

06 mar 2026, 11:11 - atualizado em 06 mar 2026, 11:14
dividendos petrobras ações
(Imagem: Reuters/Sergio Moraes)

As ações da Petrobras (PETR4) subiam 2,70% na abertura desta sexta-feira (6), a R$ 41,79, depois de a estatal anunciar seu balanço do quarto trimestre de 2025  e anunciar R$ 8,1 bilhões em dividendos junto com o— valor que veio acima do que parte do mercado vinha esperando e ajudou a puxar a reação positiva do papel.

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Na noite de ontem, a companhia informou que vai pagar R$ 0,63 por ação em proventos, totalizando os R$ 8,1 bilhões. Pela leitura da XP Investimentos, o anúncio ficou “em linha” com as contas da casa, mas com um efeito importante: trouxe alívio para investidores que estavam preocupados com o impacto do ciclo de investimentos no caixa.

“Os resultados e os dividendos vieram muito em linha com as nossas estimativas”, escreveu a equipe liderada por Regis Cardoso (analista-chefe de óleo e gás da XP Investimentos). “A geração de caixa ficou em linha, mas com uma composição que pode levantar dúvidas, já que houve contribuição relevante do capital de giro.”

No resultado, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T25, revertendo o prejuízo de um ano antes, com receita de vendas de R$ 127,4 bilhões no período. O Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões no trimestre, enquanto o fluxo de caixa operacional ficou em R$ 54,9 bilhões e o fluxo de caixa livre em R$ 19,3 bilhões.

A avaliação da XP, porém, é que a fotografia do trimestre ficou melhor “na ótica” por causa de uma ajuda pontual no capital de giro, o que compensou parcialmente saídas de caixa que não devem se repetir com a mesma intensidade. Ainda assim, a corretora mantém a visão positiva para o papel: recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 47.

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Do lado operacional, os analistas da casa, Regis Cardoso, destaca que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em cerca de US$ 10,9 bilhões, com queda na comparação trimestral em meio ao recuo do Brent para a faixa de US$ 63 por barril. “O Ebitda diminuiu no trimestre devido à queda do Brent”, aponta a casa.

Capital de giro da Petrobras surpreende, mas pode ser passageiro

O time do Itaú BBA, liderado por Monique Greco, também enxergou a leitura como positiva, justamente porque a linha de caixa surpreendeu. Segundo o banco, o fluxo de caixa operacional veio acima do esperado, impulsionado por uma melhora em capital de giro — com destaque para a linha de fornecedores — e isso abriu espaço para um dividendo maior do que o consenso imaginava.

“Um alívio de capital de giro mais do que compensou um capex caixa um pouco acima do esperado e permitiu o anúncio de dividendos acima do consenso”, escreveram os analistas do Itaú BBA. A casa tem recomendação outperform para a Petrobras, com preço-alvo de R$ 43.

Onde o mercado segue mais dividido é na leitura de qualidade do caixa e no que isso significa para os próximos trimestres. Na XP, o alerta é que a surpresa positiva pode ter vindo de uma dinâmica “menos recorrente”, o que tende a colocar pressão na discussão sobre dividendos daqui para frente.

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“O capex ficou acima do que projetávamos, e a compensação veio de uma liberação de capital de giro. Isso pode aumentar as preocupações para os próximos trimestres”, escreveu a corretora.

Na mesma linha, o BTG Pactual, com a equipe encabeçada por Rodrigo Almeida, apontou que o trimestre ficou “mais redondo” do que temia por causa do capital de giro, mas chamou atenção para o fato de que essa melhora não ser garantida na virada do ano. Em outras palavras: o investidor pode gostar do dividendo de agora e, ao mesmo tempo, manter a pulga atrás da orelha.

“Os números foram relativamente sólidos, com redução de capital de giro compensando saídas pontuais”, avaliou a equipe do BTG. “Mas essa dinâmica de capital de giro é pouco provável de se repetir”, acrescentaram os analistas.

O outro tema que segue no centro do debate sobre Petrobras é o capex (investimentos). A estatal acelerou o ritmo de aportes, desembolando cerca de R$ 35,6 bilhões no trimestre — algo que as casas consideram esperado dentro do plano, mas que limita o espaço para dividendos “gordos” enquanto o pico de investimento não passa. O Itaú BBA foi direto ao ponto ao reconhecer que alguns investidores “podem não gostar” do número cheio, ainda que ele não surpreenda quem acompanha o ritmo de execução.

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Com o ciclo de aportes, o endividamento avançou. A Petrobras terminou dezembro com dívida líquida de US$ 60,6 bilhões, acima do trimestre anterior e de um ano antes.

A XP mantém compra, com preço-alvo de R$ 47; o Itaú BBA segue com outperform, com preço-alvo de R$ 43; e o BTG também mantém visão positiva para o papel, embora ressalte que a qualidade do caixa do trimestre — com ajuda relevante do capital de giro — deve continuar no radar nos próximos resultados.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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