Petrobras (PETR4) avalia dar prazo maior para Braskem em meio a negociação com credores, diz jornal
A Petrobras (PETR4) colocou na mesa de negociação com os credores da Braskem (BRKM5) a possibilidade de conceder apoio comercial à petroquímica, em uma medida que poderia aliviar o capital de giro da companhia e ajudar a destravar um pedido de recuperação extrajudicial (RE) nos próximos dias, segundo apuração do Valor Econômico.
Ainda não há uma decisão sobre o formato da operação. Segundo pessoas próximas às negociações ouvidas pelo jornal, prazo, limites e condições do eventual suporte continuam em discussão.
A alternativa não envolveria um empréstimo ou a contratação de uma nova dívida financeira. Principal fornecedora de nafta da Braskem, a Petrobras poderia ampliar o prazo para o pagamento das compras, que atualmente são feitas à vista. Uma das possibilidades discutidas seria conceder até seis meses para o pagamento, limitado a um determinado nível de exposição da estatal.
A medida permitiria que a Braskem preservasse caixa durante as negociações com os credores. Também ajudaria a atender à demanda dos detentores de títulos no exterior, os chamados bondholders, por uma participação mais efetiva dos acionistas no esforço de reestruturação da companhia.
Braskem corre contra o tempo
A Braskem pretende protocolar o pedido de recuperação extrajudicial antes de 24 de agosto, quando vence a tutela cautelar que atualmente protege a companhia de cobranças e execuções. Para apresentar o pedido, a empresa precisa obter a adesão de credores titulares de pelo menos um terço dos créditos que serão incluídos no processo.
Ao fim de junho, a Braskem tinha cerca de US$ 1 bilhão em caixa e aplicações financeiras, sem considerar os recursos das operações no México, para uma dívida bruta consolidada de US$ 10,3 bilhões.
A melhora do desempenho operacional no segundo trimestre, embora considerada temporária, ajudou a reduzir a alavancagem financeira. A relação entre dívida líquida e Ebitda em 12 meses caiu de 18,18 vezes para 6,74 vezes.
Apoio da Petrobras seria inédito
Uma eventual extensão dos prazos de pagamento pela Petrobras, contudo, não seria uma medida trivial. Segundo uma fonte da indústria ouvida pelo Valor, a operação abriria um precedente para a estatal e poderia gerar ruídos na relação comercial com outros compradores de derivados.
Normalmente, a Petrobras concede prazo de até 14 dias para pagamento, dependendo do perfil de crédito do cliente. Em empresas em situação financeira mais delicada, a cobrança pode inclusive ser antecipada.
Credores ainda estão longe de um acordo
Apesar da maior participação da Petrobras e do avanço das conversas, Braskem, acionistas e credores ainda estão distantes de um consenso sobre a reestruturação.
A petroquímica propôs carência de cinco anos para o pagamento do principal e de dois anos e meio para os juros, condições que foram rejeitadas pelos credores.
A recuperação extrajudicial continua sendo o caminho pretendido pela companhia. A estratégia, neste momento, seria conseguir o apoio mínimo de um terço dos credores para protocolar o processo e, com isso, buscar uma nova suspensão das cobranças por até 90 dias.
A ideia seria apresentar inicialmente um plano mais genérico, funcionando como uma espécie de plano-tampão, e aproveitar os três meses adicionais de proteção para negociar as condições econômicas definitivas com os credores.
Entre as principais exigências dos credores estão os chamados “guardrails”, ou salvaguardas para proteger o caixa e os ativos da Braskem durante o processo de reestruturação.
As medidas em discussão incluem a proibição do pagamento de dividendos, além de restrições para operações de fusões e aquisições e para a venda de ativos relevantes. Os detalhes e o prazo de vigência dessas travas ainda não foram definidos.