Petrobras (PETR4): Dividendo extraordinário é ‘muito pouco provável’ em 2026, diz CFO
Apesar do lucro recorde e da forte geração de caixa no segundo trimestre de 2026 (2T26), a Petrobras (PETR4) considera “muito pouco provável” o pagamento de dividendos extraordinários neste ano. A sinalização foi dada pelo diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da companhia, Fernando Melgarejo, durante teleconferência com analistas nesta sexta-feira (7).
Segundo o executivo, a política atual da companhia já destina aos acionistas 45% do fluxo de caixa livre por meio dos dividendos ordinários. Por isso, o excedente de caixa continuará sendo direcionado prioritariamente para investimentos e redução da dívida.
“Em termos de dividendo extraordinário, a gente acha muito pouco provável que neste ano a gente verifique a possibilidade de pagamento extraordinário, embora adoraríamos”, afirmou.
Melgarejo explicou que a prioridade da Petrobras segue sendo antecipar investimentos que possam aumentar a produção e gerar retorno aos acionistas.
“Tudo o que for investimento que gera retorno para o acionista, a gente está antecipando. Essa é a nossa prioridade”, disse.
O executivo destacou ainda que a segunda prioridade da companhia é acelerar a redução do endividamento. Segundo ele, a Petrobras pretende antecipar a convergência da dívida bruta para US$ 65 bilhões, objetivo previsto no plano estratégico apenas para o fim do quinquênio.
“A prioridade número dois é fazer a convergência da dívida o mais rápido possível para US$ 65 bilhões. A ideia é antecipar um pouquinho essa trajetória”, afirmou.
No segundo trimestre, a dívida bruta da Petrobras caiu para US$ 70,8 bilhões, ante US$ 71,2 bilhões no trimestre anterior, enquanto a dívida líquida recuou para US$ 60,4 bilhões, frente a US$ 62,1 bilhões.
De acordo com Melgarejo, a companhia discute neste momento a elaboração do novo plano estratégico, que poderá definir a destinação de eventuais recursos excedentes no futuro. No entanto, ele ressaltou que o cenário atual ainda recomenda cautela.
“Todo dinheiro que excede o caixa necessário para a companhia, se não tivermos investimentos e a dívida estiver adequada, o caminho natural é o dividendo extraordinário. Essa lógica continua desde que nós chegamos aqui.”
O executivo ponderou, porém, que a administração não trabalha com a expectativa de manutenção do Brent nos níveis registrados no segundo trimestre, fator que contribuiu para o forte resultado da estatal.
“Não acreditamos que o Brent vai se manter nesse patamar por um longo tempo. No ano que vem, o desafio é que ele volte para níveis mais próximos daqueles considerados quando construímos o planejamento estratégico”, afirmou.
A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, acima da expectativa do mercado, e aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao período. A companhia atribuiu o desempenho à produção recorde de petróleo e derivados, aos preços mais elevados do Brent e à forte geração de caixa.