Petrobras (PETR4) ganha força com petróleo e toca em R$ 800 bilhões em valor de mercado pela 1ª vez
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) driblam a cautela dos investidores locais e estrangeiros e operam em alta nesta quarta-feira (14).
Por volta de 14h (horário de Brasília), os papéis preferenciais PETR4 registravam ganhos de 1,92%, a R$ 57,94, enquanto os ordinários PETR3 tinha avanço 2,45%, a R$ 65,34 – liderando a ponta positiva do Ibovespa (IBOV).
Com o avanço, a estatal atingiu R$ 800 bilhões em valor de mercado pela primeira vez na história.
O desempenho da petroleira é amparado pelo avanço no petróleo. No mesmo horário, o contrato mais líquido do Brent para dezembro, referência mundial e de preços da Petrobras, subia 0,92%, a US$ 106,66 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Segundo Lucas Xavier, head de mesa de renda variável da AW Capital, o conflito entre a Arábia Saudita e os rebeldes do Iêmen, os houthis, tem elevado as preocupações sobre a oferta da commodity e pressionado os preços do barril para cima.
“Com cada vez mais fatores de risco aparecendo, fica menos provável vermo o petróleo a uma cotação mais baixa no curto prazo, o que acaba favorecendo as petroleiras nacionais mais eficientes”, avalia Xavier.
Dados preliminares da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também sustentam o ritmo de ganhos. Segundo o órgão, a Petrobras alcançou 2,96 milhões de barris por dia em setembro, alta de 1% em relação a agosto e novo recorde para o mês.
O avanço foi impulsionado principalmente pelos campos de Búzios, cuja produção cresceu 2% no mês, superando 1 milhão de barris por dia pelo segundo mês consecutivo; e Tupi, com expansão de 8% e produção de aproximadamente 550 mil barris por dia.
No terceiro trimestre (3T26), a produção média de petróleo da companhia atingiu 2,89 milhões de barris por dia, avanço de 6% em relação ao trimestre anterior. O volume ficou acima dos 2,77 milhões de barris por dia considerados pelo consenso.
Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, Vicente Falanga e Ricardo França, o desempenho reforça a expectativa de que as estimativas de produção do mercado continuem sendo revisadas para cima, resultando em projeções maiores de Ebitda, lucro e geração de caixa para o 3T26.
“Ainda é cedo para concluir que o patamar de 2,96 milhões de barris por dia será mantido nos próximos meses. […] O fato de a companhia já ter alcançado um nível mensal superior à projeção anual de 2027 adiciona conforto à tese, embora não deva ser extrapolado de forma direta”, afirma a dupla de analistas.