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Petrobras (PETR4) acena com dividendos extraordinários se caixa “sobrar”

06 mar 2026, 13:38 - atualizado em 06 mar 2026, 13:38
CEO da Petrobras, Magda Chambriard (Reuters)

Assim como no resultado, os dividendos da Petrobras (PETR4) estiveram no centro da teleconferência do quarto trimestre de 2025 (4T25).

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Depois de anunciar R$ 8,1 bilhões em proventos, investidores tentaram entender se o patamar pode se repetir — e a diretoria reforçou que a companhia não gosta de carregar caixa “sobrando”: se enxergar um nível elevado e sem necessidade para financiar projetos, prefere devolver ao acionista.

“Reforço que nossa estratégia é gerar valor no longo prazo, conciliando investimentos e projetos de alto retorno com nossa política de dividendos”, disse o diretor financeiro (CFO), Fernando Melgarejo, ao apresentar o balanço e a proposta de distribuição.

Em meio à alta do petróleo por causa do conflito no Oriente Médio, Melgarejo admitiu que pode haver espaço para dividendos extraordinários se o caixa ficar acima do necessário. “Se a gente entender que temos um nível elevado de caixa, a gente adoraria… fazer uma distribuição de dividendos extraordinários, desde que a gente tenha certeza que não há impacto na financiabilidade dos nossos projetos”, afirmou.

A preocupação do mercado, no entanto, segue simples: a Petrobras está no meio de um ciclo mais pesado de investimentos (capex), sobretudo no pré-sal, o que tende a “morder” a geração de caixa disponível para dividendos. Além disso, analistas avaliam que o provento do 4T25 ganhou tração com uma ajuda menos recorrente do capital de giro — com alívio em linhas como fornecedores — o que melhora o caixa no trimestre, mas pode não se repetir com a mesma intensidade.

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O CFO disse que a companhia está avaliando os efeitos do cenário atual para entender “qual é o novo patamar” de preço do petróleo e afirmou que, em um ambiente de volatilidade, a Petrobras atua com cautela e tende a priorizar o cumprimento do plano de investimentos antes de qualquer decisão adicional de distribuição.

Nessa mesma linha, mais na frente de refino, a presidente Magda Chambriard defendeu que a companhia se prepara para uma faixa ampla de cenários e ressaltou que, se o choque de preços persistir, pode exigir respostas mais rápidas. “Se a subida no preço do petróleo for tão grande assim, certamente vai exigir respostas mais rápidas do que se fosse mais lenta”, disse. “Mas não temos ainda certeza dessa premissa.”

Petrobras e produção

Com esse pano de fundo, a Petrobras também reforçou a tese de execução operacional como parte da sustentação da estratégia de caixa e dividendos. Magda voltou a destacar recordes no pré-sal e repetiu que “óleo significa mais geração de caixa, mais capacidade de investimentos, mais tributos e mais dividendos”.

Nas próximas entregas, a diretoria indicou foco em acelerar o ramp-up das unidades mais recentes e manter eficiência. Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, disse que a agenda mira acelerar a curva de produção de plataformas como a P-78 e a P-79. “Para 2026, a nossa campanha é acelerar o ramp-up das atuais plataformas”, afirmou, citando avanços como a antecipação da primeira injeção de gás na P-78.

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Na sequência, a companhia voltou ao ponto que amarra o debate de dividendos: investimentos. Melgarejo afirmou que a Petrobras passou a executar o capex planejado de forma mais consistente. “Até 2023, em média, a gente aplicava cerca de 70% do que era declarado no capex. Passamos a executar eficientemente os investimentos apresentados em 2024 e 2025”, disse.

O CFO também ressaltou a concentração dos aportes em exploração e produção. “É por isso que 84% dos nossos investimentos foram alocados no E&P”, afirmou, citando recorde de interligações de poços em 2025 como evidência do ritmo de execução.

A diretoria ainda tentou endereçar o peso do ciclo de investimento na dívida. Melgarejo afirmou que a dívida bruta encerrou 2025 em US$ 69,8 bilhões, dentro do limite previsto no plano, e frisou que boa parte do endividamento decorre de arrendamentos reconhecidos por regra contábil. “Cabe destacar que mais de 60% do valor do endividamento vem de arrendamentos de plataformas, barcos e sondas”, disse.

Na visão dele, essa dívida está ligada a ativos produtivos: “essas parcelas se referem a ativos geradores de produção e, consequentemente, geradores de receitas”.

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Ao final, a teleconferência também tocou no capítulo Braskem. Magda afirmou que a Petrobras aguarda o desenrolar das etapas regulatórias e societárias envolvendo os acionistas e defendeu que a petroquímica tem sinergias que podem ser melhor capturadas. “Entendemos que essas sinergias não estão sendo aproveitadas como deviam e, portanto, em última análise, a Braskem deixa dinheiro sobre a mesa”, disse a presidente.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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