Petroleiras dos EUA vão operar na Venezuela, diz Trump
Ao anunciar que os Estados Unidos permancerão na Venezuela por tempo indeterminado e até que haja uma transição de poder “segura”, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que as empresas petrolíferas dos EUA vão operar no território venezuelano.
Durante a entrevista coletiva sobre a operação que prendeu Nicolás Maduro, e esposa Cilia Flores, o chefe da Casa Branca disse que as companhias estão “preparadas para entrar no país e investir para restaurar a produção”. A Venezuela detém 17% das reservas mundiais do óleo bruto, as maiores do mundo.
“Nossas grandes companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, disse Trump.
Ele ainda afirmou que a ocupação norte-americana “não nos custará um centavo”, porque os EUA seriam reembolsados com o “dinheiro que sair do solo”, referindo-se às reservas de petróleo da Venezuela.
No pronunciamento oficial, Trump também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força de indústria de petróleo construída, segundo ele, com capital e expertise dos EUA. “Construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós durante as administrações anteriores.”
Para o presidente dos EUA, o episódio representou “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”.
A Venezuela nacionalizou sua indústria petrolífera em 1976, confiscando ativos de grandes empresas petrolíferas internacionais para criar a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).
E, até agora, a Chevron era a última grande petroleira norte-americana com operação na Venezuela, com atuação no país desde o início do século XX e a produção sendo mantida por uma autorização especial. A companhia exporta cerca de 150 mil barris de petróleo por dia do país para a Costa do Golfo dos Estados Unidos.
Embora a Chevron seja a única grande no território venezuelano, a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, entre outras, têm um histórico marcante no país. O American Petroleum Institute (API), o maior grupo comercial de petróleo dos EUA, disse que está monitorando a situação emergente.
“Estamos acompanhando de perto os acontecimentos envolvendo a Venezuela, inclusive as possíveis implicações para os mercados globais de energia”, disse um porta-voz do API à Reuters.
De olho no petróleo da Venezuela
O interesse dos EUA no petróleo venezuelano ficou claro no início de dezembro. No dia 16, o governo Trump iniciou um bloqueio naval contra os petroleiros do país, tomando o controle de duas embarcações.
Na época, a Casa Branca disse que a medida cortaria entrada de recursos que financiavam organizações ligadas ao narcotráfico e que o governo Maduro era uma organização terrorista estrangeira.
A campanha de pressão de Trump sobre o presidente venezuelano Nicolás Maduro também incluiu um aumento da presença militar na região e mais de duas dúzias de ataques militares a embarcações no Oceano Pacífico e no Mar do Caribe, perto da nação sul-americana. Pelo menos 100 pessoas foram mortas nos ataques.
“A Venezuela está completamente cercada pela maior Armada já reunida na História da América do Sul. E só vai ficar maior, e o impacto neles vai ser algo nunca antes visto, até que devolvam aos EUA todo o petróleo, terra e outros ativos que roubaram de nós anteriormente”, afirmou Trump em dezembro.