Petróleo despenca 12% na semana, maior perda desde junho de 2025
Os preços do petróleo fecharam em baixa nesta sexta-feira (10) de olho nas negociações entre Estados Unidos e Irã neste final de semana, a primeira rodada de tratativas desde o início do conflito no Oriente Médio.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para junho fecharam em queda de 0,75%, a US$ 95,20 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Na semana, a commodity despencou 12,7%, a maior perda semanal desde junho de 2025.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio recuaram 1,33% (US$ 1,30), a US$ 96,57 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA. No acumulado da semana, o WTI cedeu 13,4%.
O especialista em inteligência de mercado da Stonex Bruno Cordeiro avalia que a queda semanal refletiu o primeiro passo para o fim da guerra, com o cessar-fogo temporário entre EUA e Irã.
“Vimos os investidores precificando mais essa busca por um eventual acordo definitivo de paz entre EUA e Irã do que o Estreito de Ormuz seguir fechado e observarmos disrupções na oferta de petróleo a nível global pela interrupção do fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico”, detalha.
Cordeiro afirma que os preços de segunda-feira da commodity tendem a estar sensíveis após as tratativas dos Estados Unidos e Irã no Paquistão.
O que mexeu com petróleo hoje?
O noticiário sobre as conversas para uma solução de paz mais duradoura do que o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e os dados de inflação norte-americanos dividiram a atenção dos investidores hoje.
A commodity operava no território negativo desde a manhã com o mercado à espera das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão nesta final de semana. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve se reunir com representantes iranianos em busca de um acordo pelo fim da guerra.
Apesar das negociações no radar, ambos os lados trocaram farpas hoje. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã devem ser cumpridos antes do início das conversas.
Já JD Vance, que irá liderar o lado americano nas conversas, alertou que Teerã não deve “brincar” com os EUA.
O presidente norte-americano, Donald Trump, inicialmente otimista em relação às negociações, voltou a elevar o tom e criticar a condução do Irã na reabertura do Estreito de Ormuz, afirmando ainda que “a única razão de os iranianos estarem vivos hoje é para negociar”.
Para analistas do ING, mesmo que o trânsito pelo Estreito de Ormuz seja retomado, a normalização da oferta de energia não deve ser imediata.
“A produção já foi reduzida em campos de petróleo e gás, enquanto operações de refinarias foram limitadas ou temporariamente interrompidas, indicando que parte das interrupções no fornecimento pode levar semanas, ou mais, para ser totalmente revertida”, explicam.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters