Petróleo tem queda com sinalizações de fim do conflito no Irã; Brent dispara em março e barril fecha acima de US$ 100 o barril
Os preços do petróleo encerraram a sessão desta terça (31) em queda com sinalizações de cessar-fogo no Oriente Médio. O saldo mensal, porém, foi o melhor desempenho em mais de 30 anos.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para junho fecharam com queda de 3,18%, a US$ 103,97 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio registraram recuo de 1,46%, a US$ 101,38 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
O que mexeu com petróleo hoje?
Mais cedo, o Wall Street Journal noticiou que o presidente Donald Trump teria dito a seus assessores que estava disposto a encerrar as hostilidades militares no Oriente Médio, mesmo que o Estreito de Ormuz permanecesse em grande parte fechado.
Em seguida, o New York Post informou Trump afirmou acreditar que a guerra com o Irã provavelmente terminará em breve, com outras nações assumindo a liderança na reabertura do Estreito de Ormuz.
Já no final da tarde, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca prolongar o conflito e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas agressões. A declaração foi feita em conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Contudo, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) fez novas ameaças contra empresas tech e financeiras dos EUA na região do Golfo, com o exército iraniano alvejando indústrias pertencentes à Siemens, AT&T e centros de telecomunicações em Israel.
Petróleo dispara em março
Apesar da baixa na sessão, o Brent subiu 42,68% em março. O recorde mensal é de um aumento de 46% em setembro de 1990, durante a Primeira Guerra do Golfo, segundo a CNBC.
O WTI, referência dos EUA, ganhou cerca de 52% no mês, seu maior salto desde maio de 2020.
A produção de petróleo da Opep caiu em março 7,3 milhões de barris por dia em relação ao mês anterior, para 21,57 milhões de bpd, seu nível mais baixo desde o auge da pandemia de Covid-19 em junho de 2020, segundo uma pesquisa da Reuters, em meio a cortes forçados nas exportações.
Ao longo do mês, o mercado acompanhou o conflito no Irã, que resultou no fechamento do Estreito do Ormuz – responsável pelo escoamento de 20% do petróleo em todo o mundo.
O Estreito de Ormuz tem sido uma “arma” no conflito no Irã, já que cerca de 20% do consumo mundial
“Com o petróleo agora na casa dos três dígitos, os preços estão sendo impulsionados menos por novas interrupções e mais pelas expectativas em relação ao tempo de intervenção e resposta da oferta”, disseram analistas da empresa de consultoria em energia Gelber and Associates em uma nota.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters