Comprar ou vender?

Vale (VALE3) cai em março, mas segue favorita; analistas veem realização e até dividendos extras

31 mar 2026, 18:36 - atualizado em 31 mar 2026, 18:47
Vale VALE3
(Imagem: Reuters)

Em meio a um mês turbulento para os mercados globais, com a guerra no Oriente Médio, a Vale (VALE3) até viu suas ações recuarem na bolsa brasileira — mas segue longe de perder o posto de queridinha dos analistas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em março, os papéis da mineradora acumularam queda de 6,77%, mas VALE3 encerrou o último pregão do mês com alta de 3,75%, cotada a R$ 82,47.

Na leitura do mercado, o movimento de queda em março tem menos a ver com as tensões geopolíticas e mais com fatores específicos, como as dinâmicas na China.

“Tivemos uma forte alta da ação da Vale em 2025 (+49%) e neste ano (+14,6%), mesmo com a queda em março. Como o preço do minério de ferro se mostra resiliente, na faixa de US$ 117 por tonelada, o que justifica a queda da ação no mês é um movimento de realização. Não ocorreu mudanças de fundamentos para a empresa ou setor”, afirma Pedro Galdi, analista da AGF.

Na mesma linha, Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, reforça que a correção recente não altera a tese para a companhia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Com relação à tese, não mudou nada que explique esse movimento. Inclusive, o minério continuou em um nível interessante”, diz.

Para ele, o ajuste reflete uma combinação de fatores. “Parece muito mais um movimento de realização — já que o papel tinha subido bastante — com alguma possível rotação dentro da classe de commodities para petróleo, que estava subalocado e voltou a ganhar apelo com a guerra”, afirma.

Hungria também chama atenção para o pano de fundo global. “Há ainda uma redução de risco nesse contexto de maior aversão, o que acaba pressionando ativos mais expostos ao ciclo global”, completa.

Vale lembrar que as ações da Vale entraram em 2026 cotadas na casa dos R$ 72, passaram de R$ 90 na segunda semana de fevereiro, quando também atingiram o pico intradiário de R$ 91,62, para depois voltar para a casa dos R$ 80 mesmo com os ataques de EUA e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Números do minério ajudam a sustentar a teoria

O contrato do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, com entrega para maio de 2026, fechou março a US$ 116,99 por tonelada — alta de 7,7% no mês e o maior ganho mensal desde julho de 2025.

Na mesma direção, o contrato para maio negociado na bolsa de Singapura avançou 7,8%, para US$ 105,5 por tonelada, marcando o melhor desempenho mensal desde setembro de 2024.

“Como o preço da ação subiu forte e ficou próximo ao consenso de preço justo, é natural uma realização, independentemente do bom momento de preços para o minério de ferro”, acrescenta Galdi.

China, oferta e logística ditam o ritmo

O Bradesco BBI chama atenção para um ambiente ainda volátil no minério de ferro, em meio a um cenário global ainda marcado por restrições de oferta e sinais construtivos de demanda na China.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“As intervenções regulatórias na China — agora novamente incidindo sobre cargas da BHP e possivelmente avançando para outros blends australianos — reforçam a percepção de que o mercado continuará sujeito a ajustes administrativos”, dizem os analistas.

Ao mesmo tempo, há sinais de recuperação da demanda. “A normalização gradual da atividade vem sustentando uma recuperação mais consistente do lado da demanda”, afirma o BBI.

Do lado da oferta, o cenário segue apertado. “Esse cenário se choca com um quadro de oferta ainda sensível, agravado pela pressão sobre custos logísticos, o que fornece sustentação adicional às cotações”, destaca.

Vale segue barata?

Mesmo diante desse cenário, a tese estrutural da mineradora permanece intacta para boa parte do mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relatório recente, o JP Morgan reiterou recomendação de compra para VALE3, e reforçou que a companhia segue negociando com desconto em relação aos pares globais.

“A Vale permanece como a opção mais barata no setor”, afirma o banco.

A JP Morgan manteve preço-alvo de R$ 96 para as ações no Brasil e de US$ 18 para os ADRs negociados em Nova York.

Mesmo em um cenário mais desafiador, com tensões no Oriente Médio, clima adverso na Austrália e incertezas na China, a avaliação é que a mineradora brasileira continua bem-posicionada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o banco, a Vale negocia atualmente a cerca de 4,6 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), enquanto concorrentes operam próximos de 5,1 vezes.

Além disso, os analistas avaliam que a mineradora lidera em geração de caixa. O banco projeta um rendimento de fluxo de caixa livre (FCL) de aproximadamente 8,3%, acima da média de 6,2% do setor.

O BTG Pactual também mantém uma visão construtiva para a tese de rendimentos da Vale.

Após reuniões com executivos da companhia na semana passada, o banco reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 85 para VALE3 e de US$ 15 para os ADRs, destacando que ainda há espaço para surpresas positivas à frente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Enxergamos mais chance de revisões para cima de lucro do que de cortes”, afirmam os analistas, em relatório.

Mesmo com o cenário geopolítico instável, a avaliação é que a Vale está preparada para atravessar o período.

“O momento é claramente volátil, com a guerra no Oriente Médio se desenrolando de forma imprevisível, mas a Vale parece bem preparada”, diz o BTG.

Além disso, o banco aponta que a empresa segue capturando preços favoráveis. “A Vale se beneficia de preços de minério de ferro em torno de US$ 110 por tonelada, cerca de US$ 10 acima do consenso”, diz.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do lado da demanda, o diagnóstico também é positivo. “A demanda chinesa é descrita como resiliente/estável, com prêmios de qualidade ainda saudáveis”, afirmam os analistas, citando o minério de Carajás com prêmio ao redor de US$ 17 por tonelada.

Mais dividendos para os acionistas da Vale?

Com esse pano de fundo, cresce a expectativa de retorno aos investidores.

Segundo o BTG, o cenário atual favorece revisões positivas de lucro e uma geração de caixa robusta. “Os dividendos extraordinários parecem cada vez mais prováveis daqui para frente, à medida que os fluxos de caixa continuam surpreendendo positivamente”, destaca.

O banco avalia que a companhia está “bem-posicionada para gerar fluxo de caixa livre sólido em 2026” — o que abre espaço para distribuição adicional de recursos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Esperaríamos que a companhia retornasse o excesso de caixa aos acionistas, seja por meio de dividendos extraordinários e/ou recompras”, afirmam os analistas.

A estimativa do BTG indica um potencial de retorno em caixa de cerca de 9% em 2026.

Nem todo mundo concorda com a tese

Nem todo o mercado, porém, está na mesma página. A XP Investimentos mantém recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 71, e avalia que parte da distorção recente já foi corrigida.

“À medida que continuamos a ver riscos negativos para os preços do minério de ferro, o recente desempenho superior das ações da Vale limita nosso upside adicional daqui para frente. Ainda assim, vemos a Vale como uma alternativa mais atrativa entre as mineradoras globais”, afirma a corretora.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A XP estima que a Vale poderia pagar cerca de US$ 500 milhões em dividendos extraordinários neste ano sem piorar a dívida líquida. Isso indicaria um retorno em dividendos (dividend yield) na faixa de 7% a 8% no período.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar