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Petróleo dispara 8% enquanto conflito com o Irã interrompe fluxos no Oriente Médio

02 mar 2026, 6:57 - atualizado em 02 mar 2026, 6:57
Petróleo EUA china
(Foto: Reuters/Eli Hartman)

O petróleo sobe 8% nesta segunda-feira (2) após ataques retaliatórios iranianos interromperem o transporte marítimo no estratégico Estreito de Ormuz, depois dos bombardeios realizados no fim de semana por Israel e pelos Estados Unidos que mataram o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.

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Um aumento sustentado nos preços ameaçaria a recuperação econômica global, impulsionaria a inflação e poderia elevar os preços da gasolina no varejo nos Estados Unidos — um resultado arriscado para o presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

A alta na reabertura dos mercados após o fim de semana, no entanto, foi menor do que algumas previsões de analistas.
Os contratos futuros do Brent chegaram a subir 13%, atingindo US$ 82,37 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025 — antes de recuarem para uma alta de US$ 6,00, ou 8,2%, a US$ 78,87 por barril às 09h19 GMT.

O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA alcançou uma máxima intradiária de US$ 75,33, com avanço superior a 12% e o maior nível desde junho, mas depois reduziu ganhos e operava em alta de US$ 5,15, ou 7,7%, a US$ 72,17.



“O movimento mais recente reflete a incerteza sobre a escala e a duração do conflito atual e reconhece que o futuro político do Irã pode ter grandes implicações para a estabilidade do Oriente Médio”, disse James Hosie, da Shore Capital.

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Neste domingo, alguns analistas haviam previsto que o petróleo abriria nesta segunda-feira acima de US$ 90 por barril e mais próximo de US$ 100.

Os preços dispararam após uma troca de contra-ataques danificar petroleiros e interromper carregamentos no Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, que liga o Golfo ao Mar Arábico.

Em um dia típico, navios transportando petróleo equivalente a cerca de um quinto da demanda global — provenientes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã e Kuwait — atravessam o estreito, juntamente com embarcações que transportam diesel, querosene de aviação, gasolina e outros combustíveis de suas refinarias para grandes mercados asiáticos, incluindo China e Índia.

Mais de 200 embarcações, incluindo petroleiros de petróleo e gás liquefeito, lançaram âncora fora do estreito, mostraram dados de navegação no domingo. Três petroleiros foram danificados e um marinheiro morreu em ataques nas águas do Golfo.

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Preços reduzem ganhos

O petróleo reduziu parte dos ganhos após a forte disparada nas primeiras negociações na Ásia, movimento que analistas atribuíram ao fato de que compradores já haviam incorporado um prêmio de risco aos preços em antecipação ao conflito.

O Brent acumulava alta superior a 19% no ano até o fechamento de sexta-feira, enquanto o WTI registrava avanço de cerca de 17%.
“Os mercados reconhecem a gravidade do conflito, mas também sinalizam que, por enquanto, trata-se de um choque geopolítico, não de uma crise sistêmica”, disse Priyanka Sachdeva, analista sênior da Phillip Nova.

A Opep+ concordou neste domingo em aumentar a produção de petróleo em 206 mil barris por dia a partir de abril. Essencialmente todos os produtores da Opep+ estão operando perto da capacidade máxima, com exceção da Arábia Saudita, afirmou a analista da RBC Capital Helima Croft.

A Agência Internacional de Energia (AIE) está em contato com grandes produtores no Oriente Médio, disse no domingo seu diretor, Fatih Birol. A agência coordena a liberação de reservas estratégicas de petróleo de países desenvolvidos em situações de emergência.

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Globalmente, os estoques visíveis de petróleo estavam em 7,827 milhões de barris, suficientes para 74 dias de demanda, nível próximo à mediana histórica, escreveu o Goldman Sachs em nota.

Analistas do Citi esperam que o Brent seja negociado entre US$ 80 e US$ 90 por barril nesta semana, em meio ao conflito em curso.

“Nosso cenário-base é que a liderança iraniana mude, ou que o regime mude o suficiente para encerrar a guerra em uma a duas semanas, ou que os EUA decidam reduzir a escalada após observar uma mudança de liderança e enfraquecer os mísseis e o programa nuclear do Irã nesse mesmo período”, escreveram analistas do Citi liderados por Max Layton.

Analistas também alertam que os preços da gasolina no varejo nos EUA, o maior consumidor de combustíveis do mundo, podem ultrapassar US$ 3 por galão devido ao conflito — um resultado potencialmente arriscado para Trump e seu Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato.

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Os contratos futuros de gasolina nos EUA chegaram a subir 9,1%, para US$ 2,496 por galão — o maior nível desde julho de 2024 — e, por último, registravam alta de 4,3%.

 

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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