Petróleo dispara mais 8% com conflito EUA e Irã; qual ação é a maior beneficiada pelo conflito?
Os preços do petróleo chegaram a avançar mais de 8% na manhã desta segunda-feira (2) após os ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel terem atingindo o Irã no último final de semana.
O país persa respondeu com ataques retaliatórios que resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por 20% da rota marítima comercial de petróleo e gás natural.
Às 12h30 (horário de Brasília), o preço do Brent subia 7,64%, a US$ 78,44 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE) em Londres.
De forma geral, os analistas avaliam que a alta do Brent melhora o cenário para as petroleiras, mas recomendam cautela diante da incerteza geopolítica.
O BTG Pactual tem preferência por Prio (PRIO3). A XP Investimentos também destaca Prio e Petrobras (PETR4) como as favoritas. Já o Bradesco BBI aponta que Petrobras, Prio e PetroReconcavo (RECV3) tendem a capturar melhor novas altas do petróleo.
Prio segue no pódio
O BTG Pactual estima que o Brent seja negociado na faixa de US$ 75 e US$ 80 diante do conflito no Oriente Médio, visto que um prêmio geopolítico relevante já foi incorporado aos preços, com o barril Brent podendo ultrapassar US$ 80 o barril, em caso de nova escalada.
De acordo com eles, a despeito das discussões recentes envolvendo fretes e descontos ao Brent, a Prio (PRIO3) é a exposição preferida aos preços do petróleo, uma vez que a companhia é mais exposta à commodity.
O BTG espera ainda resultados robustos da Prio no quarto trimestre de 2025. Além disso, o primeiro óleo do campo de Wahoo e os preços mais altos do Brent criam um setup ainda mais favorável para a ação, segundo o banco.
O impacto para a Petrobras, porém, é menor, visto que a companhia dificilmente ajustará de maneira imediata os preços domésticos de combustíveis, criando defasagem na rentabilidade.
A Brava Energia (BRAV3) deve se beneficiar do petróleo mais alto, o que pode acelerar a desalavancagem. O banco pondera que a companhia possui hedges que podem impedir captura total do upside.
A PetroReconcavo (RECV3) também se beneficia, mas em menor magnitude, já que cerca de 50% de sua produção é de gás natural.
Ao desconsiderar hedges, o banco estima que o Brent a US$ 80 o barril poderia levar o yield de FCFE de 2026 da PRIO para 27%, o da Brava para 23%, o da RECV para 21% e o da Petrobras (PETR4) para 13%.
Brava pode ser a maior beneficiada pela alta do Brent
A XP Investimentos destaca que o efeito imediado da interrupção do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz é de um aumento moderado nos preços do petróleo. “No entanto, riscos adicionais podem levar a um aumento ainda maior de preços”, pondera o analista Regis Cardoso.
Nas estimativas da XP, a cada aumento de US$ 10 por barril Brent, os FCFE yields devem aumentar cerca de 10 pontos porcentuais para Brava, 6 pontos porcentuais para PetroRecôncavo, 5 pp para Prio e Petrobras.
O analista aponta a preferência da corretora pelas ações da Prio e da Petrobras. “Essas são as duas empresas menos alavancadas em relação aos preços mais altos do petróleo, mas acreditamos que elas continuam a oferecer o melhor equilíbrio entre risco e retorno”, afirma Cardoso.
Petrobras, Prio e PetroReconcavo tendem a capturar melhor altas adicionais do petróleo
O Bradesco BBI, em relatório, destaca que, caso o Estreito de Ormuz permaneça particialmente comprometido e o prêmio geopolítico se sustente, há espaço para que os preços de petróleo avancem no curto prazo — movimento que deve ser acompanhado de perto pelos EUA devido ao impacto na inflação.
Segundo os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, o impacto dependerá da relação entre a alta do Brent e o aumento dos custos de frete e seguro.
“Companhias mais expostas ao preço à vista e com menor proteção via hedge — como Petrobras, Prio e PetroReconcavo — tendem a capturar melhor eventuais altas adicionais do petróleo. Já empresas com maior cobertura de hedge, como Brava Energia, devem sentir um efeito mais moderado no curto prazo”, explicam.
Para Falanga e França, ampliar a exposição ao setor com base em um evento cuja duração ainda é incerta representa um movimento taticamente arriscado.