Petróleo e guerra ditaram março, e abril, para analista, deve seguir volátil
Depois de um mês de março marcado pela disparada do petróleo e pela escalada das tensões no Oriente Médio, abril deve continuar sendo guiado pelo cenário geopolítico e pela volatilidade das commodities, segundo avaliação de Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual.
Durante o Giro Especial de fechamento de mercado, as jornalistas Paula Comasseto e Giovana Leal recebem o analista, que destacou que o petróleo foi o principal vetor dos mercados em março — movimento que tende a seguir no radar dos investidores nas próximas semanas.
“O petróleo foi o que movimentou o mês de março”, afirmou Miranda, ao comentar a forte alta da commodity, que chegou a negociar acima dos US$ 120 e se manteve em patamares elevados ao longo do período.
A escalada dos preços foi impulsionada principalmente pelo conflito no Oriente Médio, que completou um mês no dia 28, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além de riscos logísticos em regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
Esse cenário trouxe incerteza e volatilidade aos mercados, mas também beneficiou diretamente as petroleiras. No Brasil, a Petrobras chegou a subir cerca de 20% no mês, ajudando a limitar as perdas do Ibovespa, que encerrou março com leve queda de 0,7%, após uma sequência recente de altas.
Na avaliação do analista, porém, abril começa com um ponto de inflexão relevante: a possibilidade de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Abril começa mais positivo, mas cenário segue incerto
O mercado reagiu, no último pregão desta terça-feira (31), positivamente a sinais de negociações e a uma maior probabilidade de encerramento do conflito, o que ajudou a impulsionar os ativos no último pregão do mês. Apesar da queda de 0,70% no mês, o Ibovespa fechou o último pregão de março com alta de 2,71%, aos 187.461 pontos
Ainda assim, o cenário segue incerto.
“A probabilidade de fim do conflito parece maior agora, mas o mercado continua sensível a qualquer nova informação”, indicou o contexto discutido no programa.
Para abril, a dinâmica do petróleo continuará sendo determinante — tanto para as commodities quanto para inflação e juros. A alta recente da commodity já pressiona as expectativas inflacionárias e contribui para revisões nas projeções da taxa básica de juros (Selic), que podem terminar 2026 em níveis mais elevados do que o previsto anteriormente.
Além disso, o fluxo estrangeiro segue sustentando parcialmente o mercado brasileiro, embora o ambiente global ainda seja mais desafiador, especialmente diante da volatilidade nas bolsas americanas.
Com isso, a leitura predominante entre investidores é de cautela. Em enquete exibida durante o programa, a maioria avaliou março como um mês “difícil, mas com oportunidades” — percepção que pode se repetir em abril, diante de um cenário ainda dominado por fatores externos.
Na prática, a mensagem é clara: enquanto o petróleo continuar no centro das atenções, o mercado seguirá operando ao ritmo da geopolítica.