Petróleo mais caro deve turbinar balanços de PRIO (PRIO3), Brava (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) no 2T26
As petroleiras privadas brasileiras devem entregar resultados sólidos no segundo trimestre de 2026 (2T26), impulsionadas pela alta do petróleo no período. A avaliação é do BTG Pactual, que, em relatório divulgado nesta terça-feira (28), destaca, no entanto, que o imposto sobre a exportação de petróleo reduziu parte dos benefícios para PRIO (PRIO3) e Brava Energia (BRAV3).
“Esperamos que as petroleiras privadas brasileiras entreguem resultados sólidos no 2T26, dado o aumento de aproximadamente 28% trimestre contra trimestre nos preços do Brent, com PRIO e Brava sendo negativamente impactadas pelos impostos de exportação de petróleo no trimestre, diferentemente da PetroReconcavo”, escreveram os analistas Rodrigo Almeida, Gustavo Cunha e Marcel Zambello.
Mesmo diante desse cenário, o BTG manteve a PRIO como sua principal escolha entre as petroleiras privadas brasileiras. Segundo o banco, a preferência é sustentada pelo forte momento operacional da companhia, pela geração de caixa e pela possibilidade de adoção de uma política de dividendos no curto prazo.
“Nossa preferência pela PRIO dentro das petroleiras privadas brasileiras é suportada pelo forte momentum operacional e pela geração de fluxo de caixa ao acionista, além da potencial implementação de uma política de dividendos no curto prazo”, afirmam os analistas. Segundo eles, essa política “poderia se traduzir em um dividend yield na casa dos dois dígitos para 2027E e dar um suporte mais claro ao valuation da PRIO”.
Para a PRIO, o BTG projeta um Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de aproximadamente US$ 869 milhões, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre, apesar da alta dos preços do petróleo e do crescimento de cerca de 11% na produção.
“Apesar dos preços mais altos do petróleo e do aumento de aproximadamente 11% trimestre contra trimestre na produção, esperamos um EBITDA de cerca de US$ 869 milhões (+2% t/t)”, escreveram os analistas. Segundo eles, o resultado reflete o crescimento mais modesto dos volumes vendidos, o impacto do imposto de exportação e o aumento dos royalties.
Apesar disso, o banco estima um fluxo de caixa ao acionista de aproximadamente US$ 490 milhões no trimestre, equivalente a um yield de 5%. Parte desses recursos, segundo o BTG, pode ter sido destinada à recompra de ações.
“Com um capex de aproximadamente US$ 280 milhões e capital de giro estável, projetamos um fluxo de caixa ao acionista de cerca de US$ 490 milhões (yield de 5%), que acreditamos ter sido parcialmente direcionado pela companhia para recompras de ações”, disseram os analistas.
O BTG também continua otimista com a evolução operacional da companhia.
“Mantemos nossa visão positiva sobre a PRIO diante da melhora na produção”, afirmam os analistas. Eles acrescentam que o avanço da produção e os preços mais elevados do petróleo devem sustentar uma forte geração de caixa também no terceiro trimestre e acelerar as discussões sobre a implementação de uma política de dividendos.
Brava deve crescer, mas investimentos pesam no caixa
Para a Brava Energia, o BTG projeta um Ebitda ajustado de US$ 348 milhões, alta de aproximadamente 12% em relação ao trimestre anterior.
“Esperamos que a Brava reporte um aumento de aproximadamente 12% trimestre contra trimestre no EBITDA ajustado, para US$ 348 milhões, impulsionado por preços mais altos do petróleo, aumento dos volumes vendidos e margens de refino mais fortes”, escreveram os analistas.
Segundo o banco, parte desses ganhos será compensada pelo imposto de exportação incidente sobre os carregamentos de Atlanta e BC-10, além dos descontos comerciais em Papa-Terra.
“Projetamos um fluxo de caixa ao acionista ajustado negativo de US$ 70 milhões, dado o capex da campanha offshore”, diz o relatório. Ainda assim, o BTG ressalta que a companhia deverá registrar um ganho contábil relevante, decorrente da marcação a mercado das operações de hedge, além da entrada de caixa relacionada a Tartaruga Verde.
O banco avalia ainda que, no curto prazo, o desempenho das ações continuará sendo influenciado pela oferta pública de aquisição (OPA) conduzida pela Ecopetrol.
“No curto prazo, esperamos que a ação da Brava seja impulsionada principalmente pela dinâmica da oferta pública de aquisição (OPA) da Ecopetrol”, escreveram os analistas.
PetroReconcavo deve ser destaque positivo
Entre as três companhias, contudo, a PetroReconcavo deve apresentar a maior expansão proporcional do Ebitda. O BTG projeta um resultado de R$ 411 milhões, alta de aproximadamente 39% na comparação trimestral.
“Esperamos que a PetroReconcavo entregue um trimestre forte, suportado por preços mais altos do petróleo, melhores preços de gás natural e reduções contínuas nos custos de midstream”, afirmaram os analistas.
O banco estima ainda um fluxo de caixa ao acionista de R$ 87 milhões, com investimentos praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior.
“Embora as tendências de produção sigam fracas, vemos o trimestre de forma positiva, especialmente enquanto seguimos aguardando possíveis melhoras de produção ao longo do segundo semestre de 2026”, concluíram os analistas