Defesa cita pedido de vista de Dino no STF e pede revogação de prisão preventiva de Daniel Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (18) a revogação ou a substituição por medidas cautelares da prisão preventiva dele, decretada na Operação Compliance Zero, que apura crimes financeiros envolvendo o Banco Master. Preso desde 4 de março, Vorcaro está no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Os advogados mencionam a crise no STF e alegam que o pedido de vista de Flávio Dino em um dos desdobramentos do caso – a possível investigação de Alexandre de Moraes por conversas com Vorcaro – podem manter a situação do dono do Master indefinida.
“O peticionário (Daniel Vorcaro) não pode permanecer preso indefinidamente, à espera de definições que não dependem dele”, escreveu a defesa.
No documento, os advogados destacam que a revisão da medida, prevista para cada 90 dias, não ocorreu e citam precedente anterior da Corte, que estabelece ao juízo o dever de reanalisar a prisão ao ser provocado pela defesa.
“O peticionário (Daniel Vorcaro) está preso preventivamente há seis meses, encontra-se há quase um ano sob constrição cautelar, e até hoje não foi oferecida denúncia alguma contra ele. A investigação, além disso, foi fracionada em múltiplos expedientes, cada qual em estágio distinto, sem qualquer previsão de encerramento”, disse a defesa.
A petição foi encaminhada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, ação justificada pela definição do último dia 12 para que os documentos do caso Master sejam encaminhados à presidência da Corte, e não ao ministro André Mendonça, relator.
Os advogados Sérgio Rodrigues Leonardo, Daniel Bialski, Engels Augusto Muniz e Thiago Machado de Carvalho argumentam que o “suposto poder econômico e de influência (de Vorcaro) encontra-se integralmente neutralizado pelos bloqueios universais de contas e valores, pelos sequestros de bens móveis e imóveis, indisponibilidade administrativa de bens lançada pelo Bacen, medidas liminares de protesto contra alienação de bens vigentes bem como pela contínua exposição pública do caso”.
A defesa cita que o pedido de vista na sessão de terça-feira, 15, do STF, estende uma indefinição sobre o caso, já que a devolução tem o prazo para ocorrer em até 90 dias e a previsão é que os procedimentos não tenham avanço antes de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.
“Se a própria Corte ainda delibera sobre relatoria, competência e validade de atos da investigação, e se, repete-se, apenas a devolução da vista pode consumir até 90 (noventa) dias, não se mostra legítimo que o único dado estável do processo seja o cárcere do investigado”, escreveram os advogados.
Este é o segundo período de prisão de Vorcaro, que foi detido pela primeira vez em 18 de novembro de 2025. Em 4 de março de 2026, por ordem de Mendonça, o banqueiro voltou a ser preso, depois que a Polícia Federal entregou provas ao STF de que Vorcaro mantinha um braço armado, usado para ameaçar adversários e também para invadir sistemas de informática dos órgãos de investigação.