Petróleo sobe com investidores cautelosos sobre avanço das negociações entre Irã e Omã
Os preços do petróleo sobem nesta quinta-feira (6), à medida que os investidores permaneceram cautelosos em relação ao resultado das negociações entre Irã e Omã e se elas levarão ao restabelecimento do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, enquanto relatos de ataques contra navios-tanque sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden renovaram as preocupações com a oferta.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançavam 42 centavos, ou 0,53%, para US$ 79,87 por barril às 5h21 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, ganhavam 20 centavos, ou 0,27%, para US$ 75,42 por barril.
“Os operadores ainda se lembram do Memorando de Entendimento de curta duração assinado em junho, por isso há uma preocupação compreensível de que qualquer novo acordo possa se mostrar igualmente frágil”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade.
O Irã e Omã chegaram a um entendimento sobre as coordenadas geográficas de uma rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, e um anúncio conjunto está sendo finalizado, desde que determinadas partes terceiras não interfiram, afirmou nesta quarta-feira (5) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
Um acordo proposto entre Irã e Omã para ajudar a encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã daria a Teerã o controle sobre os navios que entram no Golfo pelo Estreito de Ormuz, disseram à Reuters ontem uma alta fonte iraniana e duas autoridades regionais. A medida representaria uma das maiores concessões já feitas ao Irã.
Antes do início do conflito, no fim de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável pela passagem de cerca de um quinto do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Riscos geopolíticos persistem
“Até que vejamos aumentos sustentados e verificáveis nos volumes transportados, o mercado continuará incorporando um certo grau de risco de oferta aos preços”, acrescentou Waterer.
As exportações de petróleo bruto e condensado dos países do Golfo permaneceram praticamente estáveis em julho, mas continuaram cerca de 40% abaixo dos níveis registrados antes da guerra, mostraram dados de transporte marítimo.
O Irã advertiu os países do Golfo de que qualquer novo ataque dos Estados Unidos contra seu território desencadearia retaliações contra infraestruturas energéticas críticas em toda a região, segundo cinco fontes, enquanto Teerã busca elevar o custo de uma ação militar ao ameaçar os aliados regionais mais próximos de Washington.
Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram ter lançado um ataque com mísseis contra um navio-tanque saudita na costa da cidade portuária de Yanbu, no Mar Vermelho, e outro ataque com mísseis contra um navio-tanque saudita no vizinho Golfo de Áden. A Arábia Saudita não confirmou nenhum dos dois incidentes.
Enquanto isso, a Arábia Saudita fixou o preço oficial de venda (OSP) do petróleo Arab Light para entrega à Ásia em setembro em US$ 2 por barril abaixo da média de Omã/Dubai, redução em relação ao mês anterior, mostrou um documento de precificação analisado pela Reuters.
Em outra frente, as Forças Armadas da Ucrânia atingiram duas refinarias de petróleo no interior da Rússia, afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em publicação feita hoje em rede social.