Polícia Federal

PF deflagra 2ª fase da operação sobre fraude contábil na Americanas (AMER3)

25 jun 2026, 7:52 - atualizado em 25 jun 2026, 8:47
americanas amer3
(Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino)

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil bilionária na Americanas (AMER3), que veio à luz do mercado em 2023.

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Com apoio do Ministério Público Federal (MPF), a operação apura a participação de acionistas e representantes de bancos privados no esquema.

Ao todo, houve o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou a apreensão de bens e valores no total de R$ 54 bilhões, correspondente as fraudes praticadas, conforme os laudos técnicos periciais.

Dois dos mandados de busca e apreensão ocorrem em endereços ligados a ex-diretores da Americanas, incluindo os empresários Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, segundo informações do Valor Econômico.

O Money Times buscou contato com Lemann e Sicupira e o espaço permanece aberto para posicionamento. Procurada, a Americanas também não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

O rombo na Americanas

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A Americanas protagonizou o maior escândalo contábil recente visto pelo mercado de capitais. Em 11 de janeiro de 2023, veio à tona um rombo na casa dos R$ 20 bilhões que colocou a varejista em recuperação judicial.

A operação da PF quer descobrir se ex-executivos e suspeitos estavam completamente cientes da fraude que mascarava os resultados reais da varejista, em um esquema que utilizava do risco sacado e contratos de VPC (verba de propaganda cooperada).

No caso do risco sacado, a empresa pega financiamento junto aos bancos para o pagamento de fornecedores, no entanto, estes eram omitidos do balanço que, por consequência, não mostrava o endividamento real da empresa.

Já os contratos de VPC eram acordos fictícios de publicidade com fornecedores, que entravam na contabilidade sem a prestação de serviço ou lastro econômico, que manipulava os resultados financeiros.

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"Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico. As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa", diz a PF em nota.

Operação Disclosure

A primeira fase da operação foi deflagrada em junho de 2024, quando a Polícia Federal cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra ex-diretores da Americanas. Nesse caso, houve o sequestro de bens e valores que somavam mais de R$ 500 milhões.

À época, a PF informou que as investigações tiveram a colaboração da atual diretoria da empresa. Nessa fase, também houve a identificação de fraude relacionadas ao risco sacado e VPC.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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