PF deflagra 2ª fase da operação sobre fraude contábil na Americanas (AMER3); Beto Sicupira e filho de Jorge Lemann são alvo
A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil bilionária na Americanas (AMER3), que veio à luz do mercado em 2023. Com apoio do Ministério Público Federal (MPF), a operação apura a participação de acionistas e representantes de bancos privados no esquema.
Ao todo, houve o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou a apreensão de bens e valores no total de R$ 54 bilhões, correspondente as fraudes praticadas, conforme os laudos técnicos periciais.
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, ambos ligados ao grupo controlador da varejista. A operação também atinge executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do conselho de administração da companhia.
O Money Times buscou contato com Sicupira e o espaço permanece aberto para posicionamento.
Procurada, a Americanas informou que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a operação realizada pelo PF se refere à fraude revelada em 2023. “A companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, afirma.
O Santander declarou que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes”. Já o Bradesco disse que acompanha a operação e que está à disposição das autoridades. O Itaú ainda não se manifestou sobre o caso.
O rombo na Americanas
A Americanas protagonizou o maior escândalo contábil recente visto pelo mercado de capitais. Em 11 de janeiro de 2023, veio à tona um rombo na casa dos R$ 20 bilhões que colocou a varejista em recuperação judicial.
A operação da PF quer descobrir se ex-executivos e suspeitos estavam completamente cientes da fraude que mascarava os resultados reais da varejista, em um esquema que utilizava do risco sacado e contratos de VPC (verba de propaganda cooperada).
No caso do risco sacado, a empresa pega financiamento junto aos bancos para o pagamento de fornecedores, no entanto, estes eram omitidos do balanço que, por consequência, não mostrava o endividamento real da empresa.
Já os contratos de VPC eram acordos fictícios de publicidade com fornecedores, que entravam na contabilidade sem a prestação de serviço ou lastro econômico, que manipulava os resultados financeiros.
“Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico. As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa”, diz a PF em nota.
Operação Disclosure
A primeira fase da operação foi deflagrada em junho de 2024, quando a Polícia Federal cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra ex-diretores da Americanas. Nesse caso, houve o sequestro de bens e valores que somavam mais de R$ 500 milhões.
À época, a PF informou que as investigações tiveram a colaboração da atual diretoria da empresa. Nessa fase, também houve a identificação de fraude relacionadas ao risco sacado e VPC.
* Com informações do Estadão Conteúdo