Trabalho

PL dos aplicativos: Proposta estabelece novas regras e direitos para trabalhadores de apps como Uber e iFood; entenda

18 fev 2026, 16:08 - atualizado em 18 fev 2026, 16:08
Entregadores, Motoqueiro Ifood
(Imagem: Agência Brasil/Marcello Casal)

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que tenta pacificar a relação entre plataformas e motoristas de aplicativos como Uber e iFood, vive um momento de definição.

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A proposta foca na criação de uma “terceira via” jurídica: um modelo que garanta algum tipo de proteção social, mesmo sem carimbar a carteira de trabalho (CLT) do motorista.

Contudo, o texto não agrada a Amobitec, associação que representa as big techs do setor de mobilidade e logística.

Risco regulatório e o impacto no “bolso”

O grande ponto de tensão mexe na estrutura de custos das empresas. O projeto prevê a instituição de um piso salarial mínimo pago por hora trabalhada, rompendo com o modelo atual, em que a precificação é ditada exclusivamente pelos algoritmos das plataformas.

A Amobitec já manifestou sua preocupação, alegando que “o texto altera a natureza econômica das plataformas e impõe um controle de preços” que pode encarecer o serviço final para o consumidor.

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Além disso, a proposta torna a contribuição previdenciária obrigatória sob a categoria de “Contribuinte Individual”, garantindo ao trabalhador a rede de proteção do INSS (aposentadoria e auxílios), mas elevando o custo operacional da atividade.

Tema Como é hoje Como pode ficar (PLP 152/2025)
Vínculo Autônomo total (sem direitos) Trabalhador Autônomo Plataformizado
Ganhos Definido pelo app (sem mínimo) Piso definido por corrida curta
INSS Opcional Obrigatório (desconto direto no app)
Taxa do App Sem limite (chega a 50%) Máximo de 30%
Segurança Por conta do motorista Seguro obrigatório pago pela empresa

Articulação política: Governo entra em campo

O projeto de lei encontra-se parado na Câmara dos Deputados, aguardando parecer de uma comissão especial criada especificamente para avaliá-lo.

Para tentar destravar essa pauta e garantir o avanço do projeto na Câmara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou um time de peso. A tarefa de alinhar a proposta foi entregue ao ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência).

A estratégia é clara: acelerar o consenso. Boulos e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, têm agenda marcada ainda para este mês de fevereiro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

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O objetivo é ajustar o texto para que ele passe pelo crivo dos parlamentares sem sofrer grande desidratação, buscando um meio-termo entre o bem-estar social dos trabalhadores de aplicativos e a sustentabilidade econômica das empresas de tecnologia.

* Com supervisão de Maria Carolina Abe

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Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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