Plano Safra deve ser lançado sem medidas para seguro rural e renegociação de dívidas, dizem fontes
O Plano Safra 2026/2027, previsto para ser anunciado na próxima semana, deve ficar sem medidas voltadas ao seguro rural e à renegociação das dívidas dos produtores, segundo informações apuradas pelo Broadcast Agro.
Nos bastidores, integrantes da equipe ligada ao setor agropecuário defendem que o governo apresente algum encaminhamento para atender às demandas do campo. No entanto, há resistência da área econômica em incluir os temas no pacote do novo Plano Safra.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o principal entrave é o impacto fiscal das medidas. Integrantes da equipe econômica avaliam que tratar os assuntos em conjunto com o Plano Safra poderia ampliar as discussões sobre o custo das iniciativas e dificultar as análises de impacto nas contas públicas.
Seguro rural enfrenta restrições orçamentárias
No caso do seguro rural, o espaço para novas despesas em 2026 é considerado inexistente pela equipe econômica. Nesta semana, o orçamento destinado ao programa sofreu um bloqueio de R$ 56,3 milhões, após um contingenciamento de R$ 461,7 milhões realizado anteriormente.
Segundo fontes, técnicos do governo argumentam que as restrições orçamentárias impediram a manutenção dos recursos e que a definição dos cortes partiu do próprio Ministério da Agricultura.
Tradicionalmente, o governo anunciava junto ao Plano Safra os recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Nos últimos anos, porém, o Executivo tem limitado as projeções de subsídios ao valor previsto no orçamento anual.
Endividamento preocupa equipe do agro
Outra preocupação envolve o aumento do endividamento no campo. Integrantes da área agrícola defendem que o governo apresente uma resposta para produtores que enfrentam dificuldades financeiras.
A avaliação é que parte relevante dos agricultores tem encontrado obstáculos para acessar novas linhas de crédito em razão do comprometimento da capacidade de pagamento.
Enquanto isso, a equipe econômica ainda discute alternativas para o tema, incluindo a possibilidade de edição de uma medida provisória e ajustes no projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados.
Fundo garantidor também deve ficar de fora
Fontes também indicam que a criação de um fundo garantidor para operações de crédito rural não deve avançar neste momento.
A proposta é vista por integrantes do governo como importante para ampliar o acesso ao financiamento, em um cenário de maior seletividade dos bancos e de produtores com garantias já comprometidas.
No entanto, a estruturação do fundo exigiria aportes do Tesouro Nacional, o que poderia reduzir a capacidade da União de subsidiar as taxas de juros do crédito rural.